Última hora

Última hora

Nobel da Paz desconhecido na China

Em leitura:

Nobel da Paz desconhecido na China

Tamanho do texto Aa Aa

“Democracia para a China”, defendeu o pequeno grupo que se manifestou esta manhã em apoio ao silenciado Prémio Nobel da Paz chinês, Liu Xiaobo. Os presentes pediram a libertação do dissidente frente à sede do governo central em Hong Kong.

Ao mesmo tempo, no continente chinês, na Praça de Tiannanmen, onde Liu ganhou mais uma pena num centro de detenção em 1989, poucos cidadãos faziam ideia do acontecimento que o mundo celebra.

“Um chinês ganhou o Nobel? Não pode ser. Não sabia. Tenho pena, mas não ouvi nada disso.”

Liu Jie é estudante e orgulha-se de saber:

“Estou muito orgulhosa porque é chinês. E agora a gente está a promover os direitos humanos e destaca-se mais a democracia. Liu Xiaobo defende os direitos humanos”.

Mas a opinião da estudante não coincide com a dos editores dos Media oficiais:

Para o “tablóide” popular Global Times, o prémio Nobel da Paz 2010 reflecte a arrogância e os preconceitos contra um país que fez progressos económicos e sociais notáveis e qualifica a eleição do comité Nobel de paranóica.

O China Daily, órgão anglófono de Pequim, fala de uma conspiração para conter a China. O prémio atribuído a Liu, afirma, é uma provocação.

Não é a primeira vez que os Nobel incomodam a China. Já tinha acontecido em 2000, quando Gao Xingjian ganhou o Nobel de Literatura. O escritor, naturalizado francês, deixou a China em 1987, com medo de ser perseguido. Os livros escritos já tinham sido proibidos um ano antes.

No entanto, o Prémio Nobel da Paz que mais cólera desencadeou em Pequim foi o de 1989, atribuído ao Dalai Lama. Pequim considera o chefe espiritual dos tibetanos um separatista e encarou o galardão como uma ingerência internacional nos seus assuntos internos.