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O mais longo turno do mineiro Luiz Urzua

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O mais longo turno do mineiro Luiz Urzua

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Como num navio naufragado, o último a abandonar a mina de San José, em Copiapó, foi o capitão dos 33 mineiros.

Ao final de 70 dias e 9 horas de espera, Luis Urzua foi o último do grupo a chegar à superfície no interior da cápsula fénix 2 e a reencontrar-se com os familiares.

No interior da galeria subterrânea, o chefe de turno, que trabalhava apenas há dois meses na instalação, foi o líder incontestado do grupo com uma experiência de mais de 31 anos.

Durante os primeiros 17 dias sem qualquer contacto com o exterior, foi o capitão que garantiu a sobrevivência dos mineiros, com uma disciplina férrea e um horário similar ao da superfície, com noite e dia, a 700 metros de profundidade.

À espera de Urzua estava uma vez mais o presidente chileno, Sebastian Piñeira, apostado em fazer do resgate dos mineiros um símbolo nacional, não poupando metáforas.

“Quero sublinhar que o Chile de hoje não é o mesmo país de há 69 dias. Os mineiros não são os mesmos que ficaram aprisionados no dia 5 de Agosto. Sairam mais fortes e deram-nos uma lição de coragem e sobrevivência”.

Como vários mineiros resgatados ontem, Urzua pediu ao presidente chileno para evitar uma nova tragédia similar.

Para lá da emoção e do patriotismo, Piñeira garantiu que vai apurar responsabilidades pelo acidente de 5 de Agosto, tendo encerrado a mina de San José.

Depois de 70 dias de escuridão, os mineiros vão testemunhar frente à comissão de inquérito que deverá fazer luz sobre as falhas de segurança dentro da instalação.