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Fuga de informações militares afecta coligação

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Fuga de informações militares afecta coligação

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O site da Internet “wikileaks” começa, na verdade, a ser desastroso para a coligação. A revelação de tantos documentos secretos pode mesmo constituir a maior fuga de informações militares da história.
No sábado, o fundador do site Wikileaks, Julian Assange, apresentou aguns documentos numa conferência de imprensa em Londres. Para os defensores dos Direitos do Homem, os factos são graves, como atesta o advogado Phil Shiner:

“As forças dos EUA e do Reino Unido não podem fechar os olhos aos factos com base em não serem soldados do próprio contingente e o contrário ser revelado nestes registos. Ambos os Estados têm obrigações internacionais a nível de tomar medidas definitivas e eficazes para parar coma tortura feita por iraquianos. Mesmo que não o tenham feito directamente, são cúmplices. “

Os documentos em questão divulgam 15 mil baixas civis nunca antes reveladas num total de quase 67 mil. Também acusam as forças iraquianas de torturarem sob supervisão americana e as forças de coligação terem morto 700 civis nos postos de controlo.

Estas revelações foram condenadas imediatamente pelo Pentágono e pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. Principalmente por causa do grave risco que representam para a vida dos soldados no terreno. Os militares criticam a ligeireza com que os segredos têm sido desvendados e mostram a mesma apreensão. É o caso de David Service:

“Não acho que alguém que lide com informação secreta a deva partilhar. A segurança dos soldados e dos civis pode ser afectada. “

O governo iraquiano é acusado de dar cobertura à tortura e morte de civis.
Em plena perturbação pós-eleitoral, o primeiro-ministro Al Maliki, tenta manter-se no poder para um segundo mandato e os apoiantes culpam a oposição de apenas querer destabilizar o governo, através destas fugas de informação:

“Há uma razão para a publicação destes documentos nesta altura específica para os Estados Unidos. Provavelmente os americanos querem atingir partidos políticos específicos para defender interesses alheios.”

Ao mesmo tempo, as revelações não surpreenderam completamente os iraquianos. O escândalo das torturas de prisioneiros em Abou Ghraib, em 2006, ainda está presente nos espíritos e continua a pesar na reputação do exército americano no Iraque.

As fugas da wikileaks têm efeitos tão ou mais devastadores.