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Acordo franco-alemão cria polémica na véspera de cimeira europeia

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Acordo franco-alemão cria polémica na véspera de cimeira europeia

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Será uma cimeira europeia atribulada e difícil aquela que Bruxelas vai acolher esta quinta e sexta-feira. Tudo por causa do eixo franco-alemão.

Paris e Berlim chegaram a um acordo, em Deauville, para impor ao resto dos parceiros europeus uma revisão do Tratado de Lisboa para incluir um fundo de salvamento e introduzir sanções aos Estados sem rigor orçamental.

A forma e o conteúdo são polémicas mas o presidente do Conselho Europeu é prudente. “Há as posições de certos países e há as posições de outros. Eu devo encontrar um compromisso. É esse o meu papel”, defende Herman Van Rompuy.

As críticas à proposta franco-alemã não tardaram. O primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, diz ser “inaceitável”, enquanto a comissária europeia Viviane Reding considera “irresponsável” abrir a caixa de Pandora de uma nova ratificação de um tratado que já teve nascimento complicado.

Em Berlim, as críticas não são bem aceites. Face ao Bundestag, a chanceler Angela Merkel afirmou que “a França e a Alemanha não são a Europa, mas sem um acordo franco-alemão não é possível grande coisa”.

Angela Merkel procura antes de mais impedir um recurso do Supremo tribunal alemão face ao tratado europeu.

O analista Daniel Gros explica que “é provável que outros governos vejam que os alemães têm razão: não há um procedimento de reestruturação de dívida do país em dificuldade”.

Sobre um ponto todos estão de acordo: é preciso evitar novas crises como a da passada Primavera com a Grécia. Mas para alterar o Tratado de Lisboa será necessária uma decisão unânime dos Vinte e Sete e há o risco de que o processo não esteja concluído em 2013, quando expira o actual mecanismo de crise.