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Charles Kupchan: "neste momento tudo se resume à economia" nos EUA

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Charles Kupchan: "neste momento tudo se resume à economia" nos EUA

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Num programa de televisão, Barack Obama afirmou que as mudanças que prometeu não podem ser realizadas da noite para o dia.

Quando foi eleito, o presidente dos EUA disse que a subida era dura, mas como um treinador de futebol, depois de uma série de maus resultados, tinha os eleitores a culpá-lo.

Charles Kupchan da universidade de Georgetown e ex-membro da segurança do presidente Clinton no conselho nacional está connosco em duplex.

Alasdair Sandford, euronews – Obama está a ser punido pelas suas previsões?

Charles Kupchan, Conselheiro para os Negócios Estrangeiros – Bem, é claro que Obama não tinha muito na mão para começar. Tinha duas guerras, nenhuma a correr bem, a economia global e a economia americana à beira do colapso e, ainda, um país muito dividido. Bush tinha polarizado os EUA com uma força que ja não víamos há muitas décadas.
E então, Obama chega, e acho que tem verdadeiros sucessos, na saúde e na estabilização da economia, fazendo a popularidade dos Estados Unidos crescer a nível externo. Mas, em muitos aspectos, ainda não conseguiu tirar proveito deles porque muitos americanos estão a sofrer e a culpar o presidente.

Alasdair Sandford, euronews – A política externa é a sua área e mencionou que ele é corajoso, por exemplo, na abordagem de dossiês como o do Irão. Mas isso importa, realmente, quando o que está em jogo é a economia?

Charles Kupchan – É principalmente sobre economia neste momento e porque, ao contrário da Europa, mesmo que esteja em crise, aqui o sucesso para o americano da classe média é realmente importante: desemprego, pessoas a perderem as casas e com medo de perder as poupanças ou a pensar em como sobreviver depois da reforma… é isto que realmente conduz o processo político e alimenta o Tea Party, levando os indecisos a balançar o voto nos democratas para os republicanos. No sentido de que a política externa conta e está focada no Iraque, Obama teve êxito no essencial, no esforço de redução do contingente. O Afeganistão é um grande ponto de interrogação, a insurgência continua e resta ver qual será o resultado do reforço do destacamento militar americano e se levará os talibãs a dispersar.

Alasdair Sandford, euronews – Então, que imagem está a emergir dos Estados Unidos?

Charles Kupchan – Bem, receio que seja um quadro em que os EUA enfrentam desafios muito sérios, nomeadamente em termos de diminuir o déficit, mas também em termos de política externa, na relação com o Afeganistão, lidar com a ascensão de novos poderes e perder a primazia no Ocidente. Mas não parece que o sistema político norte-americano vá estar numa forma particularmente boa. Acho que Obama tem de recalibrar, precisa de tomar consciência de que, se quiser as coisas feitas, tem de trabalhar com o Congresso, e provavelmente, inclinar-se na direcção republicana. Se vai conseguir fazer as coligações necessárias é uma questão em aberto. É isso que vai fazer a agenda política: encontrar um terreno comum com a oposição para Obama poder começar a resolver grandes questões nacionais que tem pela frente. Fazer a economia avançar no bom sentido, a resolver o desemprego, mas também a baixar o déficit, que, a longo prazo, se pode tornar uma ameaça muito séria, não apenas para a economia americana, mas para a posição geopolítica da América que, afinal, assenta na vitalidade económica.