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Gustavo Dudamel: o grande maestro venezuelano

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Gustavo Dudamel: o grande maestro venezuelano

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Ainda nem tem 30 anos e já dirige uma das mais prestigiadas orquestras do mundo: a Filarmónica de Los Angeles. Falamos do incansável, exuberante e ultradinâmico Gustavo Dudamel.

Aos 29 anos, o venezuelano Gustavo Dudamel dirige a Orquestra Filarmónica de Los Angeles. Recentemente, esteve no Walt Disney Hall – espaço assinado por Frank Gehry – onde dirigiu Turangalîla.

Esta obra-prima sinfónica do século XX, composta por Olivier Messiaen, é complexa e simultaneamente simples, explica o maestro: “É uma obra que reflecte a beleza, o amor… A transcendência da felicidade e do amor. Há uns acordes que nunca terminam… É uma obra muito atmosférica – que, pelo menos, neste hall é perfeita, porque te brinca com cores muito modernas, muito modernistas. Longínquas e próximas… Tem esta dualidade. É maravilhoso fazê-la.”

Mas o dia de Gustavo Dudamel começa numa zona menos chique de Los Angeles. É no Rampart District que, logo de manhã, se encontra com os miúdos da ‘Yola muito modernistas Hola’, a Youth Orchestra LA at Heart of Los Angeles – que é como quem diz: a Jovem Orquestra LA no Coração de Los Angeles.

Aqui desperta os mais jovens para a música através do El Sistema Movement, um programa educativo criado há 35 anos na Venezuela e de onde o próprio Dudamel emergiu. “O objectivo”, diz o amestro, “é proporcionar esperança e um futuro com mais entendimento e sensibilidade aos meninos das comunidades com poucos recursos, das comunidades mais necessitadas. O melhor de tudo é ver nos olhos desses meninos a esperança a brilhar… Sabe? Esses olhos que dizem ‘queremos mais. Queremos mais e queremos construir uma vida em torno do que estamos a viver’. A minha vida é a música. Para mim, é como a água, como a comida, como… sei lá! Para mim, chegar de manhã e ver estas crianças é como uma energia. É como… ‘wow’! Que bonito! É como recarregar baterias e proporcionar-lhes mais possibilidades a eles e eles proporcionarem-me mais possibilidades a mim. E toda esta interacção que existe naquilo que fazemos é a vida.”

Para além de estar implicado neste El Sistema, o maestro Dudamel dirige a Bolívar Orchestra e a Gothenburg Symphony, e é um convidado de honra das mais importantes orquestras mundiais.

Uma história de sucesso que rima com talento mas também com carisma e alegria de viver.“Sou uma pessoa muito fácil de levar, muito optimista e muito feliz. E na minha vida pessoal, tudo se passa da melhor maneira possível. Eu e a minha mulher vivemos uma vida artística muito efervescente, e vinculamos isso à nossa vida pessoal – o que faz com que seja muito divertido!”

Entre Janeiro e Fevereiro do próximo ano, Gustavo Dudamel e a La Philarmonic vão estar en tournée, na Europa, com espectáculos em Lisboa, Madrid, Colónia, Londres, Paris, Budapeste e Viena.

O DVD da gala de abertura do concerto 2010 da Orquestra Filarmónica de Los Angeles está previsto para breve.

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Gustavo Dudamel é um artista Deutsch Grammophone. Entre os seus mais recentes discos encontramos RITE (‘Le Sacre du Printemps’, de Stravinsky, e ‘La Noche de los Mayas9, de Revueltas); a Sinfonia número 5 de Mahler; FIESTA; a Sinfonia número 5 de Tchaikovsky e ‘Francesca’ de Rimini – todos gravados com a Orquestra Juvenil Simon Bolivar.

Nesta reportagem, podemos ouvir partes da Turangalila Symphony (‘Chant d’Amour I’ e ‘Final’), de Olivier Messiaen.