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Vale de Almeida: "A relação com os EUA é a mais importante para a Europa"

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Vale de Almeida: "A relação com os EUA é a mais importante para a Europa"

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A economia dos Estados Unidos está mal e a retoma a tardar, numa altura em que a União Europeia, liderada pela Alemanha, retoma, ainda que timidamente, o crescimento.

A Euronews entrevistou João Vale de Almeida, embaixador da União Europeia nos Estados Unidos, a propósito das mudanças no cenário político norte-americano.

Euronews: No dia 20 realiza-se a cimeira União Europeia-Estados Unidos. O presidente Obama vai chegar politicamente enfraquecido a Lisboa. Qual será a mensagem dos europeus para o presidente Obama?

Vale de Almeida: Eu creio que a mensagem essencial dos europeus será uma mensagem de compromisso e de confiança. Compromisso nas relações transatlânticas, que é mesmo a relação mais importante para a Europa, mas também para os Estados Unidos; e confiança na nossa capacidade de, em conjunto, encontrar boas soluções.

Euronews: Portanto, a priori, nenhuma inquietude da vossa parte sobre as relações transatlânticas tendo em conta esse revés eleitoral…

VA: Não. Há evoluções políticas no seio dos países da União, como há nos Estados Unidos. É preciso respeitar o jogo democrático. Eu estou confiante no facto que as duas principais formações políticas americanas, democratas e republicanos, vão partilhar o essencial desse interesse, desse investimento na relação transatlântica.

E: Um dólar fraco parece ser a escolha da Administração americana. A União Europeia pode verdadeiramente considerar uma abordagem concertada com os Estados Unidos sobre o plano monetário e económico, quando o euro parece ser para os Estados Unidos uma moeda de referência?

VA: Nós desenvolvemos, desde o início da crise em 2008, uma cooperação muito estreita com os Estados Unidos. É preciso lembrar que foram a Europa e os Estados Unidos que estiveram juntos na origem do G20, e o G20 é o principal instrumento de gestão das consequências da crise económica e financeira. Discutimos questões difíceis, complexas. Eu não vou negar a complexidade das questões monetárias, por exemplo, mas eu creio que não há alternativa. É preciso discutir para encontrar abordagens comuns. É preciso também tentar, em conjunto, europeus e americanos, compreender bem o lugar dos novos países emergentes, e tentar, em conjunto, boas vias de cooperação com países como a China, por exemplo.

E: Com uma maioria reduzida a nove lugares no Senado e uma Câmara dos Representantes dominada pelos Republicanos, parece agora improvável que o presidente Obama possa fazer adoptar uma lei sobre as alterações climáticas… A União Europeia tem meios para ser líder nesse domínio sem os Estados Unidos?

VA: Nós cremos que são precisos esforços de todos os actores internacionais, particularmente das economias mais importantes, sejam elas industrializadas e desenvolvidas como as nossas, sejam elas economias emergentes como a China, Índia ou Brasil. Creio que neste contexto é preciso compromisso, investimento político, e ele deve vir antes de tudo dos europeus e americanos, de modo a conduzir a soluções equilibradas os países emergentes.

E: Mas, a priori, esse compromisso que evoca virá da União Europeia, mas não dos Estados Unidos, pelo menos não com a actual maioria do Congresso.

VA: Eu não quero fazer um julgamento precipitado sobre o quadro político americano. Não me cabe a mim fazê-lo, mas há uma responsabilidade que todos os homens ou mulheres da política devem assumir face aos desafios mundiais, e as alterações climáticas são um dos principais desafios com os quais as nossas sociedades se confrontam. Portanto, eu creio que há um debate que é preciso continuar com o novo Congresso e nós estamos comprometidos com o actual Congresso e continuaremos com o futuro Congresso, a nova maioria. Tenho encontros previstos com os representantes da futura maioria republicana. Creio que é preciso continuar este compromisso com determinação.