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NATO à procura de uma estratégia para a próxima década

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NATO à procura de uma estratégia para a próxima década

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Que conceito estratégico para a próxima década deve a NATO adoptar?

Concebida para proteger os seus membros de uma invasão num mundo bipolar durante a guerra fria, a Aliança Atlântica deve modernizar as suas forças armadas para enfrentar novas ameaças. Nos bastidores da NATO, defende-se que é inconcebível uma batalha de carros de assalto na Europa dos dias de hoje.

O 11 de Setembro de 2001 ilustra bem as novas ameaças do século XXI. O ataque terrorista levou a NATO a servir-se do artigo 5° da Aliança, isto é a defesa colectiva do país membro atacado.

Mas será que o artigo 5° tal como foi redigido está adaptado para responder a um ciberataque contra um aliado?

A Estónia foi alvo de um ataque deste tipo em 2007. É precisamente a este tipo de ataque que é preciso, nos dias de hoje, responder, mas para tal é necessário poder encontrar o responsável.

A NATO deverá também poder dar resposta a uma nova realidade: a proliferação de novas tecnologias de guerra no mundo, nomeadamente os mísseis capazes de atingir alvos em territórios sob a protecção da organização.

De acordo com o secretário-geral Anders Fogh Rasmussen, há mais de 30 países com essa capacidade, incluindo o Irão.

As armas nucleares são outro ponto sensível para a organização. No discurso proferido em Praga, em Abril de 2009, Barack Obama fez referência a um mundo sem este tipo de armas, mas não escondeu que entretanto os Estados Unidos manteriam o seu arsenal como forma de dissuasão.

“Hoje declaro de forma clara e com convicção o compromisso da América para procurar a paz e a segurança num mundo sem armas nucleares.”

Inspirado pelas palavras de Obama poucos meses mais tarde, o então líder dos liberais alemães, que é hoje ministro dos Negócios Estrangeiros, Guido Westerwelle, sugeriu o seguinte:

“Seria razoável, e é o que nós queremos, que haja negociações para que as últimas armas nucleares estacionadas na Alemanha, e que são relíquias da guerra fria, sejam removidas.”

Desde então, a Alemanha, mas também a Holanda, o Luxemburgo, a Noruega e a Bélgica pediram um debate sobre o futuro das armas nucleares na Europa.

Para já tudo leva a crer que a NATO vai seguir as recomendações feitas por Madeleine Albright, presidente do comité de peritos para a nova estratégia da organização: ou seja, manter a dissuasão nuclear juntamente com armas convencionais e de defesa antimíssil.