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Os horrores de Guantánamo

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Os horrores de Guantánamo

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Por mais dinheiro que recebam, os antigos presos de Guantánamo, não vão esquecer os horrores vividos na prisão.

“Isso é o que acontece em Guantánamo. Podemos ser inocentes, eles sabem que somos inocentes. Eles dizem-nos cara a cara que sabem que não fizemos nada. Podemos ser ilibados durante o processo realizado em Guantánamo, mas mesmo assim mantêm-nos presos, porque, algumas vezes, não há sítio para levar as pessoas”, afirma Bisher al Rawi.

Omar Deghayes, que trabalha agora para uma associação de defesa dos Direitos Humanos, foi torturado em Guantánamo.

“Meteu-me dois dedos nos olhos e, como eu não gritei, ele pensou que não estava a fazer força suficiente. Portanto, continuou a fazer força com os dedos e o outro oficial gritava ‘mais’, porque eu não estava a berrar. Ele achava que ele não estava a carregar o suficiente… E até o guarda estava a gritar, dizendo ‘mas eu estou, eu estou’, porque ele estava a fazer demasiada força”, conta Omar.

Mas o sofrimento do ex-prisioneiro não ficou aqui: “Um oficial tentou deitar-me spray para a cara e tudo, para me queimar. E eu estava a tentar proteger-me com a mão, quando outro oficial, que estava ao lado dele, me fechou o postigo na mão. E, então, como eu não gritava, ele fechava o postigo mais, mais e mais. Eu não berrei, portanto, ele apertou com força até me partir o dedo. O dedo foi esmagado no postigo”.

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