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Kashmeri: "Obama deve discutir a ligação da NATO à UE"

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Kashmeri: "Obama deve discutir a ligação da NATO à UE"

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A guerra no Afeganistão e a relação com a Rússia são alguns dos assuntos com os quais a NATO está a tentar lidar, no momento em que define a sua nova estratégia para a próxima década. Para analisar estas questões, a euronews entrevistou Sarwar Kashmeri, autor do livro “NATO: Reboot or Delete?”.

euronews:
A NATO foi criada há 61 anos. Continuamos a precisar dela nos dias de hoje?

Sarwar Kashmeri:
Eu acredito que ainda precisamos da NATO. É uma organização muito valiosa, mas está a tornar-se cada vez mais irrelevante.

euronews:
Acha que ela pode sobreviver à próxima década?

Sarwar Kashmeri:
Sinto que, a menos que os Estados Unidos falem directamente com a União Europeia e estabeleçam um plano de longo alcance, que liguem a NATO ao CSDP, que entreguem uma grande parte da actual segurança europeia aos europeus, mas que continuem ligados, a NATO vai continuar a desaparecer.

euronews:
Até à data, o Afeganistão continua a ser a maior missão da organização. Isto expôs os limites da NATO?

Sarwar Kashmeri:
Na minha opinião, não só expôs os limites da NATO, como as disfuncionalidades. E como gerimos a saída da NATO do Afeganistão é um assunto cada vez mais importante. Acho que se não tivermos cuidado, a credibilidade que a NATO ainda tem, vai começar a desaparecer.

euronews:
No coração da estratégia da NATO ainda está o compromisso central da defesa colectiva. Isto funcionaria para algo como um ataque cibernético maciço?

Sarwar Kashmeri:
Sabe, essa é, de facto, uma boa questão. Acho que não. Porque se recuarmos alguns anos, quando a Estónia ficou de joelhos em algumas horas, com um ataque cibernético e a presidência da Estónia foi pedir ajuda à NATO, eles descobriram rapidamente que isto não era um evento abrangido pelo artigo 5 da NATO. E a NATO foi incapaz de ajudar e ainda é incapaz de ajudar.

euronews:
Washington tem uma série de planos de reforma, relacionados com segurança, por exemplo, com o escudo de defesa antimíssil. Este projecto é um objectivo realista?

Sarwar Kashmeri:
Sabe, eu sou muito céptico acerca de toda a defesa antimíssil, por um certo número de razões. Uma é quem vai pagá-lo. A última informação que tenho é que a conta total vai ser subscrita pelos Estados Unidos. A outra questão é, claro, a Rússia, que está a ser convidada para aderir. Acho que é uma boa ideia envolver a Rússia nas conversações. Mas deixe-me contar-lhe uma conversa que tive com um oficial sénior russo, em Bruxelas, não há muito tempo. Perguntei-lhe acerca da NATO mais delicada, mais amável e ele citou um provérbio russo que diz: “Se a sua avó deixar crescer suíças, ela torna-se o seu avô”. Portanto, eu acho que isto demonstra as dificuldades com que nos vamos deparar indo em frente. Na minha opinião, esta é a coisa errada para discutir no topo da agenda em Lisboa. O que o presidente Obama deve fazer é discutir a ligação da NATO à União Europeia e iniciar um projecto em que a secretária de Estado americana, o ministro dos Negócios Estrangeiros canadiano se reúnam com a baronesa Ashton e resolvam os detalhes.