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Papa discute pedofilia com cardeais

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Papa discute pedofilia com cardeais

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É pouco frequente, o que demonstra, uma vez mais, que a Igreja católica atravessa uma das piores crises da sua história recente.

Pela primeira vez, cardeais de todo o mundo foram convidados pelo próprio Papa a participarem num dia de reflexão e oração, no Vaticano.

Durante este fim de semana, o Consistório de Bento XVI elevará 24 bispos a cardeais. Foi a primeira oportunidade para estes Cardeais-designados integraram o grupo restrito da elite – os príncipes da Igreja.

As tensões com o regime chinês e os escândalos de abusos sexuais são os temas principais da reflexão, mesmo se alguns cardeais desvalorizam estas questões, como o mexicano, Javier Lozano Barragan:

“Bem, eu penso que esta reunião é uma coisa normal, não… uma matéria que seja do meu interesse ou de outros cardeias, de modo nenhum”.

O primeiro escândalo de abusos sexuais relativo à Igreja Catótica chegou à opinião pública nos anos 80.

Mas o caso mais antigo, na Europa, só foi conhecido há um ano, com a publicação do relatório Murphy.

Este documento mostra as conclusões dos inquéritos públicos, conduzidos pela Irlanda, sobre os abusos de menores, na Arquidiocese de Dublin.

Estas acusações criaram uma enorme vaga de revelações, pelo mundo inteiro. Mas a maior parte dizia respeito à Europa.

O Papa Bento XVI reconheceu e penitenciou-se algumas vezes, mas as vítimas exigem mais da Igreja Católica.

Um outro ponto de reflexão: as tensões com o regime chinês.

O Vaticano distribuiu uma orientação, antes da reunião desta sexta-feira, dizendo que a Santa Sé está preocupada.

Tem a informação que diversos bispos, na China, estão a ser coagidos, pelo regime, a assistirem à cerimónia de consagração de um novo bispo, da Associação Católica Patriótica Chinesa.

Uma associação confessional também chamada de “igreja do estado”, não reconhecida pelo Vaticano.

Se a ordenação de concretizar, pode ser considerada ilegal pelo Vaticano, o que já não acontece desde 2006.

Finalmente, o conclave deve analisar o estado da liberdade religiosa, no mundo.

No centro das preocupações está o ataque a um templo católico, nos arredores de Bagdad.

Mas também a condenação à morte, no Paquistão, de uma mulher de 45 anos, mãe de cinco filhos, acusada de ter blasfemado o profeta Maomé.