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O peso da crise abate-se sobre a Irlanda

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O peso da crise abate-se sobre a Irlanda

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Os irlandeses estão em choque face aos sacríficios que lhe são pedidos para combater a crise em que o país mergulhou.

Os sindicatos falam de injustiça, os analistas duvidam da retoma económica do país e espera-se que os eleitores que hoje votam no condado de Donegall mostrem fortemente o seu descontentamento.

O plano de austeridade apresentado na quarta-feira pelo primeiro-ministro visa recuperar 15 mil milhões de euros nos próximos quatro anos. Uma parte desse montante vai sair da redução geral do preço por hora pago aos trabalhadores, da redução dos salários da função pública e de cortes nos benefícios sociais.

Para além destas medidas, o governo será ainda obrigado a suprimir 25 mil empregos na função pública e a aumentar os impostos.

Face a um cenário tão negro, para muitos restam as obras sociais. O número de pessoas que recorre ao auxílio destas estruturas duplicou no último ano.

Kevin Crowley, do Mosteiro dos Capuchinos, em Dublin, fala de um novo tipo de pobreza:

“Recentemente temos tido outro tipo de pobres. Pessoas que perderam os empregos e que têm receio de perder as casas”.

Este centro está aberto seis dias por semana. Oferece pequenos almoços, almoços, banhos e roupas aos necessitados, mas como diz Noel Fagin, que já perdeu tudo, “Há cada vez mais pessoas nas ruas, sem abrigo, muito mais do que havia há cinco anos”.

A crise financeira transformou o tigre celta da economia europeia, num dos mendigos da zona euro.

A revolta dos irlandeses deverá exprimir-se numa manifestação de “resistência” convocada pelos sindicatos para o próximo sábado.