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Connie Hedegaard: "Os países doadores têm de provar a sua boa vontade"


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Connie Hedegaard: "Os países doadores têm de provar a sua boa vontade"

É em Cancún que os líderes mundiais têm uma nova hipótese para chegar a um acordo que substitua o Protocolo de Quito. No início da conferência da ONU, a euronews foi ouvir o lado europeu, por intermédio de Connie Hedegaard.

Adrian Lancashire, euronews: Connie Hedegaard, comissária europeia para a Acção Climática, a conferência da ONU começou hoje no México. Disse na semana passada que o desejado acordo vinculativo, para o qual a União Europeia estava pronta no ano passado, não tem qualquer hipótese em Cancún. Não estamos a avançar para um acordo?

Connie Hedegaard, comissária europeia para a Acção Climática: Sim estamos, mas não iremos conseguir tudo este ano. É a dura verdade. Mas penso que devemos ser também realistas e admitir que isso não significa que não iremos conseguir nada em Cancún. Tenho a esperança de que conseguiremos obter um pacote substancial de decisões, em relação à floresta, à adaptação e tecnologia, sobre a forma de controlar o cumprimento das nossas promessas de todos os países, também a finança e outros temas. O facto de que não iremos ter um acordo vinculativo não significa que não iremos fazer nada. A Europa fará o que puder para que haja avanços substanciais em Cancún. O mundo precisa disso.

euronews: Qual é o seu melhor cenário ou esperança, melhor dizendo? Será uma coisa de último minuto?

C. Hedegaard: Bem, para mim é a sétima conferência internacional do clima, por isso, sei que muitas coisas serão feitas no último minuto. Se pudermos decidir sobre a forma de ajudar os países em desenvolvimento a adaptarem-se às mudanças climáticas às quais já fazem face, e outras questões semelhantes, isso já é alguma coisa. Isso são coisas muito importantes.

euronews: Antes dos países em desenvolvimento, olhemos para o lado da UE. A UE fez promessas imediatas em Copenhaga, mas dias antes da abertura da cimeira em Cancún disse que para as concretizar ainda precisa de 200 milhões de euros dos Estados membros. Conseguiu o que precisa?

C. Hedegaard: Neste preciso momento, estamos um pouco aquém dos 200 milhões, mas isso significa que os 7,2 mil milhões, prometidos em Copenhaga, serão dados nos próximos três anos. Este ano, o próximo e no ano seguinte. Penso que é absolutamente essencial que sejam entregues. Acredito que se pudermos provar primeiro que podemos chegar a um acordo sobre um certo número de temas e que os países em desenvolvimento, incluindo a UE claro, provam que estamos a entregar a nossa promessa financeira, penso que podemos e devemos abrir caminho para um acordo internacional vinculativo. Mas a lógica é: primeiro chegamos a um acordo sobre o conteúdo depois, talvez seja mais fácil, chegar a um acordo sobre a forma legal.

euronews: Em relação às coisas práticas feitas na Europa, você felicitou as grandes companhias pelo desemprenho da tecnologia do carbono este ano. Ao mesmo tempo diz que “cortar demasiado e depressa demais as emissões europeias pode eliminar empregos”. Há alguma maneira para encorajar as pequenas empresas inovadoras a dar um grande contributo?

C. Hedegaard: Penso que a maioria dos cidadãos na Europa concorda que, sim, podemos perder empregos se o fizermos de forma demasiado ambiciosa, mas também podemos perder empregos se formos complacentes e entregarmos os mercados de borla aos nossos concorrentes. Penso que o melhor é encontrar um equilíbrio ambicioso, fazer o máximo que pudermos e avançar na boa direcção. Se fizermos isso de forma inteligente penso que não iremos perder empregos. No final, seremos capazes de exportar ainda mais soluções para países que irão precisar delas nos próximos anos.

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