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Catherine Ashton: Serviço diplomático vai adaptar-se às medidas de austeridade

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Catherine Ashton: Serviço diplomático vai adaptar-se às medidas de austeridade

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A euronews aproveitou a entrada em funções do novo serviço diplomático da UE para falar com Catherine Ashton, Alta Representante da UE para os Assuntos Externos e a Política de Segurança.

Catherine Ashton, chefe da diplomacia da União Europeia: Não se trata de criar o 28° Estado membro da política externa, mas de reconhecer que o que fazemos e dizemos a vinte e sete, de transformar a mensagem mais eficaz para o mundo. Se pensarmos na prosperidade económica dos cidadãos, precisamos de melhores instrumentos comerciais, de acordos comerciais a 27, de mais poder económico. Se pensarmos em algumas das grandes questões de política externa – segurança e estabilidade no mundo, efeitos das mudanças climáticas – podemos concretizar mais coisas agindo e falando a uma só voz. Só então a Europa será mais forte.

Sergio Cantone, euronews: Como vai gerir as posições divergentes que, por vezes, vemos entre os Estados membros?

C. Ashton: Os Estados membros gerem a política externa com base nos interesses nacionais e isso é correcto. Quando chefio o Conselho dos Negócios Estrangeiros há 27 chefes da diplomacia que se reúnem, que se juntam para falar de assuntos que nos preocupam, por exemplo, Médio Oriente, Irão, Sudão, o que está a acontecer com a Somália e a pirataria. São assuntos que têm um impacto na vida dos cidadãos. Quando podemos chegamos a um acordo sobre uma posição comum, o que nos dá força porque é a partir dela que falamos ao mundo.

euronews: Pensa que a diplomacia e a política externa deveriam ser mais transparentes?

C. Ashton: Penso que temos de ter sempre a capacidade para falar em privado. Grande parte da minha vida estive implicada na liberdade de informação e penso que é importante que os cidadãos saibam e compreendam como é que tomamos as decisões e o que acontece ao nível governamental. Mas há sempre a necessidade de ser cândido e aberto nas discussões tidas nas reuniões e nas deslocações pelo mundo, porque é essa candura genuína que nos ajuda a formular políticas. Isso não significa que é o que pensa a opinião pública ou o que vamos destacar. Isso significa que se consegue muita informação, e isso é importante.

euronews: Está preocupada com as questões orçamentais que estão a afectar a União Europeia?

C. Ashton: Estamos a viver num ambiente económico onde as medidas de austeridade, que têm de ser tomadas, devem reflectir-se no trabalho do serviço. Precisamos de fazer melhor, de sermos eficientes, de mostrar o valor do dinheiro. Fiz disso o grande tema. Penso que podemos concretizar, mas o mais importante é fazer-nos compreender melhor pelas pessoas que representamos.

euronews: Para si qual é, em termos geográficos, o assunto mais importante da política externa para a União Europeia?

C. Ashton: O assunto de política externa mais imediato, em vez de mais importante, é o Irão. Na próxima semana estarei em Genebra para uma reunião com os iranianos para iniciar as negociações sobre as capacidades de armamento atómico. Isso é importante para mim. Mas se olhar à volta do mundo, do ponto de vista dos Vinte e sete Estados membros, há várias prioridades. Todos sentem a necessidade de ter uma política comum sólida nas nossas relações com a Rússia, China, Índia, Estados Unidos, e para mim, é claro, a grande prioridade é a nossa política de vizinhança, a forma efectiva como apoiamos os países vizinhos no futuro. É disso que vai depender a reputação da Europa.