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"Cheguei tarde à maturidade"

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"Cheguei tarde à maturidade"

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Renée Fleming tornou-se conhecida como a Diva do Povo. A soprano americana é uma das maiores vozes do canto lírico da actualidade.

Os primeiros passos de Renée Fleming nesta arte não foram fáceis, como nos contou antes de actuar em Helsínquia, na Finlândia.

Renée Fleming:

“- A minha voz foi um verdadeiro desafio porque tecnicamente eu tinha muitos problemas.

E só mais tarde é que acabei por desenvolver uma espécie de paixão pelo canto, eu não era uma artista nata. Escutei recentemente algumas das minhas primeiras gravações e fiquei surpreendida pela forma indistinta como eu soava nos meus 20 anos. Acho que a minha voz demorou bastante a desenvolver-se. Eu sei que a minha técnica demorou bastante a desenvolver-se, assim como a minha capacidade para dizer algo em palco. Eu diria que cheguei tarde à maturidade.”

A voz de Renée Fleming tornou-se única porque contém um elemento que recorda o desejo, uma espécie de saudade. A soprano revela-nos como alcançou este timbre.

Renée Fleming:

“- Trata-se de uma combinação de duas sensibilidades musicais que eu tenho. Uma vem do meu passado no jazz, porque existe uma liberdade de que eu me apropriei e que agora aplico na forma como abordo uma frase. A segunda parte é o conceito de Tragen, de transportar uma frase de modo a que o ouvido a possa acompanhar e isso é o que eu penso que mais do que outra coisa qualquer cria o conceito de desejo na música.

Eu sou uma pessoa completamente dependente da reacção do público. Quando não sinto nada da parte da audiência, eu aprendi a não entrar em depressão de imediato porque descobri que alguns públicos são ouvintes atentos e não exprimem necessariamente nenhum sentimento até ao fim do espectáculo. Com a experiência tornei-me menos vulnerável a esta situação.”

Nesta reportagem Renée Fleming canta duas árias de Giacomo Puccino: “Donde lieta uscì” de La Bohème e “O mio babbino caro” de Gianni Schicchi.