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N'gouan: "É preciso rever toda a governação da Costa do Marfim"

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N'gouan: "É preciso rever toda a governação da Costa do Marfim"

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Patrick N’gouan é presidente da Convenção da Sociedade Civil da Costa do Marfim, um organismo nacional independente que tenta resolver a crise que afecta o país há dez anos. Hoje, está preocupado.

François Chignac, euronews:
O país terá de fazer face a uma nova vaga de violência nas próximas horas?

Patrick N’gouan:
É possível. Quando observamos o panorama africano fazemos sempre a distinção entre países africanos democráticos, os países de boa governação, e os países de má governação, em que todas as eleições terminam em confrontos e violência. E esse é o caso da Costa do Marfim. Por isso é preciso rever toda a governação naquele país. É preciso implicar toda a sociedade civil, a religião, o sector privado para definir de maneira consensual um futuro partilhado e também um presente partilhado na Costa do Marfim.

euronews:
Significa que o país nunca poderá virar a página desta crise político-militar?

Patrick N’gouan:
A Costa do Marfim pode virar a página na condição de poder identificar de maneira objectiva as causas profundas desta crise e depois tomar medidas apropriadas. Nada de encenações diplomáticas ou arranjos políticos como é o caso de hoje.

euronews:
Qual é a verdadeira natureza desta crise? É uma crise política, uma crise económica ou uma crise sociocultural?

Patrick N’gouan:
A crise na Costa do Marfim tem três vertentes. Tem uma vertente económica. Depois de muitos anos os recursos disponíveis não chegam para satisfazer as necessidades económicas e sociais da população. Todos os indicadores macroeconómicos e microeconómicos estão em degradação desde os anos 20. A isso junta-se uma crise política, todos os indicadores sociais estão degradados. Por isso, existe uma precariedade que faz com que a taxa de pobreza seja de pelo menos 50 % de população. Logo, a crise económica e precariedade social preparam a cama à instabilidade política.

euronews:
Em concreto, qual é a solução?

Patrick N’gouan:
Há que fazer com que a Costa do Marfim seja dirigida de maneira participativa pelo conjunto da população e pelo conjunto dos sistemas que fazem prevalecer os valores e os princípios E não um contexto de vontades de certas personalidades que determinam a sorte de toda uma nação. Infelizmente é o que temos hoje.