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A "geração sacrificada" da Irlanda

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A "geração sacrificada" da Irlanda

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O projecto de Belmayne Park, no norte de Dublin, é o exemplo da explosão da bolha imobiliária na Irlanda.

Michael Goulding e a mulher Tracey compraram a casa antes da crise graças a um empréstimo de 30 anos e mensalidades de 1600 euros. Com a crise, Michael, electricista, perdeu o emprego. O subsídio de desemprego de 54 euros por semana e o salário da mulher não permitem pagar o empréstimo, apesar da renegociação com o banco. O sonho tornou-se um pesadelo, incluindo em termos de projecto.

“Deveria ser a rua principal?”, pergunta a jornalista da euronews, Valerie Zabriskie.

Michael Goulding, proprietário, responde: “Deveríamos poder virar à esquerda para descer a rua principal, com os apartamentos e as lojas. Tanto quanto sei, deveria ser igual dos dois lados da rua. Deveria haver centros comerciais e tudo. Era mesmo suposto existir uma biblioteca, um pub e todos os principais serviços do bairro. Neste momento, não temos sequer uma loja”.

Só uma parte do projecto imobiliário foi concluída. O resto está ao abandono e a casa da família Goulding perdeu 40% do valor inicial.

Michael, a mulher e as duas filhas pequenas vivem com o medo de ser expulsos e ponderam emigrar para a Austrália.

Uma situação que atinge milhares de outras famílias irlandesas, segundo a jornalista Valerie Zabriskie: “Estima-se que, até ao final do ano, 250 mil proprietários irlandeses estejam em situação de insolvência. Isso significa que nunca serão capazes de reembolsar os empréstimos que contraíram para comprar uma casa, durante os anos de prosperidade, que vale agora menos 40 por cento. Com o início do plano de resgate da UE e do FMI, muitos proprietários temem tornar-se na geração sacrificada da Irlanda”.