Liu Xiaobo passou a vida entre manifestações e celas de prisão. Tem 55 anos e o facto de ter recebido o Prémio Nobel da Paz não vai mudar a perspectiva de ser libertado apenas aos 65. Quando soube da distinção chorou emocionado.
A mulher explicou que não foram lágrimas de alegria mas lágrimas em memória dos camaradas mortos durante as manifestações de Tiananmen, em 1989. Liu Xiaobo era professor nos Estados Unidos. Desde o início do movimento pela democracia regressou à China para participar. Face à resposta do regime iniciou uma greve da fome. Foi detido e cumpriu ano e meio de prisão.
A seguir à libertação, continuou a defender uma reforma política e a libertação dos que participaram no movimento de 1989 e que continuavam presos. O governo reagiu e enviou-o para um campo de reeducação pelo trabalho durante três anos”.
En 2003, foi nomeado representante na China do international Pen Club, sediado na Suécia e financiado pelos Estados Unidos, o que aumentou a cólera das autoridades chinesas.
Mas o que precipitou os acontecimentos foi a tomada de posição em relação ao Tibete, em 2008 e ter escrito a Carta 08, assinada por mais de 10 mil pessoas, incluindo 303 cidadãos chineses. Mais uma vez, o objectivo era promover a reforma política e o movimento democrático chinês.
Na ocasião, afirmou que as pessoas como ele, talvez uma minoria na China, têm o direito de exprimir opiniões e criticar o governo deve ser um direito garantido e respeitado.
No dia 8 de Dezembro de 2008, dois dias antes da publicação anunciada do “manifesto pela democratização da China e pelo fim do partido único”, Liu Xiaobo foi preso na própria residência e formalmente acusado em 2009.
No dia de Natal foi condenado a 11 anos de prisão por “actividades subversivas”.
A mulher, que também está em prisão domiciliária, só foi autorizada a vê-lo seis vezes, a mais recente para lhe anunciar que tinha ganho o Prémio Nobel da Paz.
O anúncio da condenação provocou uma vaga de protestos a nível mundial. Os defensores da carta 08 na China foram detidos.
Liu Xiaobo foi distinguido pelo Comité Nobel norueguês pela longa e pacífica luta pelos direitos fundamentais na China.
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