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Milhares de ONG's na reconstrução do Haiti

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Milhares de ONG's na reconstrução do Haiti

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O palácio presidencial em Port au Prince, ainda em ruínas, simboliza uma reconstrução demasiado lenta, depois do terramoto de 12 de janeiro do ano passado, no Haiti.

A magnitude do sismo de 7 na escala de Richter e os problemas estruturais de Haiti tornaram a reconstrução mais lenta e mais complexa do que estava previsto.

Os números demonstram-no: dos 20 milhões de metros cúbicos de escombros, só foram retirados 5%.

Com 105 mil casas destruídas e 208 mil parcialmente danificadas, só foram reconstruídos 15% dos alojamentos temporários necessários.

O realojamento de 1,3 milhões de haitianos não está a ser feito com a rapidez prometida. A Organização Internacional para a Migração, IOM, afirma que 810 mil pessoas continuam a viver nas tendas montadas em campos como este em Jacmel.

A construção de uma casa temporária, que dure entre 7 e 10 anos, custa 1.800€ por 25 m2. Muitas das 10 mil ONG’s presentes no Haiti, concentram-se nesta atividade. Mas a falta de coordenação reduz a eficácia dos esforços. Também há problemas herdados da época anterior ao terramoto, que continuam a impedir a reconstrução, como explica o responsável da ONG Diakonie para a reconstrução:

“As famílias são, na maioria, arrendatárias e não têm qualquer terreno. O problema da habitação já existia e com o terramoto apenas se acentuou. Até agora ainda não foram encontradas soluções para as famílias que não são proprietárias.”

A este problema ligado à reconstrução juntam-se outros como as condições sanitárias catastróficas e o aumento dos casos de cólera. Desde meados de Outubro, a epidemia já matou 3400 pessoas e continua a atingir todo o país.

A porta-voz da mesma ONG acrescenta:

“Os problemas de água e falta de saneamento no país emergem como novas prioridades, assim, os que tentam reconstruir ou querem encontrar soluções específicas para depois do terramoto, têm de ter em mente que há problemas estruturais, além da cólera, que a qualquer momento podem criar mais dificuldades.”

Os problemas de coordenação, sanitários e legais, assim como a falta de vontade política, têm impedido grandes avanços na limpeza, reconstrução e criação de infraestruturas no Haiti.