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Líbano: rumo ao difícil acordo

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Líbano: rumo ao difícil acordo

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Michel Suleimane, presidente cristão do Líbano, tem de desempenhar um dos papéis mais difíceis da carreira: na segunda-feira vai começar as consultas aos grupos parlamentares para nomear um novo primeiro-ministro.

Segundo a constituição libanesa, vai ter de ser um muçulmano sunita, como era o caso de Saad al-Hariri.

Em 2009, o governo só foi formado depois de cinco meses de negociações entre os diferentes grupos políticos libaneses.

A incerteza aritmética parlamentar faz-nos pensar que, desta vez, ainda vai ser mais difícil chegar a acordo.

Na rua, domina o ceticismo, como exprime um cidadão em Beirute:

“O governo está paralisado desde o princípio por causa das lutas políticas.

Mas, se queremos respeitar a Constituição, a questão que deve colocar-se é se a situação permite formar outro governo com a mesma partilha entre ministros da oposição e ministros da maioria. É difícil”.

O bloco da oposição, dominado pelo Hezbollah, não fez propostas para substituir o primeiro-ministro, que que obrigou a demitir.”

Sayyed Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, está à espera que o Tribunal Especial para o Líbano termine a investigação do assassinato de Rafik Hariri e acuse ou não membros do partido.

O Hezbollah é a única facção libanesa a manter as armas depois da guerra civil de 1975 a 90, com o pretexto de resistir a Israel.

É um exército mais forte que o exército libanês mas não tem poder para fazer um golpe de estado, segundo o analista Hilal Khashan:

“A situação ainda não atingiu o limite, mas vai atingir quando a sentença for pronunciada.

Vai haver manifestações, mas não acho que se perca o controlo da situação. O Hezbolah e a oposição não devem lançar qualquer campanha militar para controlar o sistema”.

Uma deriva violenta ia cortar as asas da economia libanesa, em pleno boom turístico e imobiliário, que fez de Beirute uma das cidades mais caras do mundo.