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Tunísia dividida quanto ao futuro


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Tunísia dividida quanto ao futuro

O povo tunisino não está muito satisfeito com a fórmula anunciada de governo de união nacional. Consideram que o partido de ben Ali, que esteve no poder durante 23 anos, já não tem lugar no governo:

“Acha que pode confiar num mentiroso? A quem apoiou o regime de um ditador? Não os queremos mais. Detestamo-los.”

No entanto, o primeiro-ministro, considerado um homem íntegro e respeitado, tinha defendido que o partido do poder, caído em desgraça, não fosse excluido do processo, para evitar um cenário do género iraquiano e uma destabilização do aparelho de estado.

Parte da população concorda com esta análise:

“Este é um caso de urgência. Mesmo se não estamos de acordo com o governo, há elementos do antigo regime, pois não pdoemos fazer um governo novo sem experiência. É um período transitório para um governo eleito pelo povo.”

O principal problema é que a oposição, mumificada há muitos anos na Tunísia, é praticamente desconhecida e, por ignorância, a população também não a defende.

Entre os partidos da oposição figuram três casos: o da oposição legal, representada no parlamento, simbolicamente. A seguir, há a oposição que foi sempre impedida de ter deputados. E por fim, a oposição no exílio.

O governo considerava especialmente perigosa a oposição interdita, no exílio. Até agora, os representantes dessa oposição não foram consultados pelo primeiro-ministro para a formação de um governo provisório.

Nourredine Mbarki, analista:

“Há quem defenda o regresso à vida política dos partidos não reconhecidos, tal como o Partido Tunisino dos Trabalhadores, o Partido do Renascimento, do islamista Rached Ghannouchi, e o partido do Congresso para a República.

Dizem que é preciso que estes partidos políticos participem no jogo político da Tunísia a partir de agora.

Há aqui uma condição sine qua non: ou se começa a trabalhar com a constituição existente, ou se anula tudo e se recomeça.

Moncef Marzouki, opositor histórico do regime, está claramente disponível e já se apresenta como candidato a futuras presidenciais. Para ele a situação é clara:

“Vamos trabalhar para que ninguém roube a vitória do povo tunisino e para que haja eleições, mas eleições livres e honestas”.

O anúncio do novo governo mostra que a transição democrática está longe de ser feita. Não é uma questão de mudar o sistema mas de o abrir. E é isso precisamente que rejeitam os opositores exilados que prometem novos desenvolvimentos na cena política da Tunísia.

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