Última hora

Última hora

Visita de Karimov embaraça Comissão Europeia

Em leitura:

Visita de Karimov embaraça Comissão Europeia

Tamanho do texto Aa Aa

Foi com muito embaraço, que Durão Barroso recebeu, em Bruxelas, o presidente uzbeque, Islam Karimov, considerado um ditador.

Islam Karimov veio falar de energia com a Comissão Europeia e cooperação na guerra no Afeganistão com a NATO. A visita deveria ter sido discreta, mas não o foi. Face às críticas dos defensores dos direitos do Homem, ninguém assume a autoria do convite.

Karimov é responsável pelo massacre de pelo menos 1500 pessoas na cidade de Andijan, em 2005, e de manter detidos dezenas de opositores.

As organizações de defesa dos Direitos do Homem não quiseram que a visita passasse despercebida. No protesto frente à Comissão Europeia estava Mutubar Tadjibaeva, dissidente uzbeque. Foi detida e torturada antes da libertação em 2008. Tadjibaeva denuncia a política europeia: “É claro que se convidam um ditador para falar de assuntos energéticos acredito que estão mais interessados na energia e no gás do que nos direitos humanos no Uzbequistão”.

Barroso foi o único responsável europeu a receber Karimov e defende-se, garantindo que a questão dos direitos humanos estava também na agenda.

Para Steve Swerdlow, da Human Rights Watch, os direitos humanos são tema obrigatório: “Não somos contra o facto de Durão Barroso encontrar o presidente Karimov desde que esteja pronto para abordar, publicamente e de forma aberta, as questões dos direitos humanos: a libertação dos defensores dos direitos humanos, a inexistência de uma sociedade civil que funcione, o uso persistente do trabalho infantil na indústria do algodão e outros abusos de direitos humanos que continuam há tanto tempo”.

Os manifestantes acusam a UE de ficar cega com a questão energética, numa referência ao levantamento unilateral, em 2009, das sanções impostas quatro ano antes.