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Moshe Kantor: "O mundo subestima Ahmadinejad tal como fez com Hitler"

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Moshe Kantor: "O mundo subestima Ahmadinejad tal como fez com Hitler"

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Na véspera do aniversário da libertação de Auschwitz, fomos falar com Moshe Kantor, presidente do Congresso Judaico europeu.

Lesley Alexander, euronews: Sessenta e seis anos depois, Moshe Kantor, porque é que devemos recordar?

Moshe Kantor, presidente do Congresso Judaico europeu: Vemos que estão a acontecer muitas coisas atualmente na Europa e que estão a chamar a nossa atenção para as lições do Holocausto. Sabe, depois da Segunda Guerra Mundial, a taxa média de antisemitismo, e falo sobre o número médio de eventos antisemitas no mundo, manteve-se mais ou menos estável e só em 2009 o número duplicou. Temos dois tipos de antisemitismo. Um é o antisemitismo clássico que está a aumentar, de vez em quando e com ciclos, por exemplo no caso da crise económica, que é a ideia de que os judeus são os responsáveis e os culpados de tudo. Mas há outro tipo de antisemitismo que começou a surgir: o anti-israelismo. As raízes deste antisemitismo é o Médio Oriente, a tendência pró-iraniana.

euronews: Bem, eu ia mencionar o presidente Ahmadinejad e a sua famosa declaração sobre erradicar Israel do mapa. Pensa que o mundo leva as ameaças a sério?

M. Kantor: Infelizmente, o mundo subestima este assunto. Hitler também foi subestimado. Quem é que o levou a sério? Quem é que levou a sério este pequeno artista sem sucesso da Áustria? Todos o consideravam um louco. O que é que aconteceu depois de escrever “Mein Kampf”, implementou a legislação que foi designada Leis de Nuremberga que terminaram na Solução Final e no Holocausto. Está-se a repetir a mesma história. Ahmadinejad, com todas as suas ameaças e a ameaça do armamento nuclear do Irão, é seguramente subestimado e banalizado. É uma ameaça não só para o Estado judaico e para o povo judeu, é definitivamente uma ameaça para a União Europeia e para a civilização.

euronews: O que está a dizer, então, é que não se aprendeu nada?

M. Kantor: Oiça, a principal lição a tirar pela União Europeia deveria ser esta: vemos, atualmente, o programa de boicote do Estado de Israel, do Estado democrático no Médio Oriente, que é um aliado forte e de confiança da União Europeia. Deveria ser proibido por lei uma qualquer discriminação de um qualquer Estado democrático, em qualquer país da União Europeia.