Última hora

Última hora

Bélgica perto de bater recorde mundial da mais longa crise política

Em leitura:

Bélgica perto de bater recorde mundial da mais longa crise política

Tamanho do texto Aa Aa

À Bélgica já quase só resta a intervenção divina. O país está num impasse e sem um governo, sete meses e meio após as legislativas.

O mediador apresentou ontem a demissão ao rei Alberto Segundo. Ao fim de três meses, Johan Vande Lanotte não conseguiu nem reunir à mesma mesa os sete partidos francófonos e flamengos envolvidos nas discussões para a formação do executivo.

Um fracasso que deixa um gosto amargo aos belgas, quando a ameaça de divórcio paira sobre o país.

Um habitante de Bruxelas, francófono, afirma: “Os francófonos estão ainda apegados a uma certa visão da Bélgica, enquanto os flamengos estão numa fase mais avançada. Já não se discute a partilha do bolo, a partilha das competências, penso que se discute, verdadeiramente, duas etapas diferentes da história da Bélgica”.

Já um bruxelense flamengo defende: “Não penso que a Bélgica se vá separar. Estamos numa situação tão difícil e precisamos de a resolver. Não penso que a maioria dos belgas queira a separação do país, de todo”.

Os belgas exasperam e, no domingo, mais de 30 mil saíram à rua para apelar à unidade nacional. O rei, esse, está a ficar sem soluções: ou envolve mais partidos nas negociações ou convoca eleições antecipadas.

Como explica o nosso correspondente em Bruxelas, Sergio Cantone, e segundo uma página na internet, a Bélgica está a caminho de bater o recorde mundial da maior crise política, detido pelo “Iraque, com 289 dias. Mas a Bélgica poderá ganhar. Já conta 228 dias. Surge depois a Costa do Marfim com 60. Mas esta é a prova de que, apesar da crise política, os belgas não perderam o histórico sentido de humor”.