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Fredrik Reinfeldt: "Não demos o dinheiro dos contribuintes aos bancos"

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Fredrik Reinfeldt: "Não demos o dinheiro dos contribuintes aos bancos"

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No Fórum Económico Mundial de Davos, a Euronews entrevistou o primeiro-ministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt. A crise da zona euro foi um dos temas abordados.

Euronews: Senhor primeiro-ministro, a Suécia decidiu há muitos anos não aderir ao euro e parece-me que não se arrepende da decisão…

Fredrik Reinfeldt: Bem, houve um referendo. Portanto, foram os suecos que disseram “não”. E, claro, agora a coroa sueca é muito forte, mas eu penso que o euro é uma boa ideia para o futuro. Mantém a Europa unida. Não estou seguro que dentro de algum tempo não possamos reabrir o debate.

E: Concorda com o presidente francês, Sarkozy, quando ele disse que seria um cataclismo se o euro colapsasse?

FR: Sim, claro, mas não acredito que isso aconteça. E eu acho que podemos fazer mais no que respeita às reformas e à redução dos grandes défices de alguns países europeus. Penso que nos devemos focar nisso, porque acho que tem havido muita discussão sobre os mecanismos da crise, os empréstimos e um eventual colapso do euro, mas no final temos um trabalho para fazer, e todos temos a responsabilidade de melhorar as nossas economias.

E: Num dos painéis, George Soros disse que neste momento temos uma Europa a duas velocidades. De um lado, os países em dificuldades, do outro, os mais robustos. Ele acha que isso pode levar a uma desintegração da Europa. Considera que isso é ir longe demais?

FR: Sim, acho que sim. E devemos lembrar-nos que aqueles que hoje estão a ter um bom desempenho estavam em grandes dificuldades, tal como a Suécia, há 20 anos. Pode-se, de facto, mudar o rumo, fazer bem, reformar a economia, aumentar a competitividade e tornar-se uma economia forte. Portanto, não é uma divisão que vai ficar para sempre e acho que isso é uma coisa muito importante que devemos recordar.

E: Está a dizer-me que está aqui porque em alguns aspetos é um exemplo para muitas nações, que fez a coisa certa, e o senhor vai discutir isso em alguns painéis. O que é que fez bem?

FR: Bom, primeiro não demos o dinheiro dos contribuintes aos bancos, não o demos para cobrir os custos ou as perdas das indústrias ou empresas não-competitivas. Orientámo-lo para Investigação e Desenvolvimento, seguindo o princípio de pôr o trabalho em primeiro lugar. Isso em conjunto com políticas de trabalho muito ativas, na área da formação e medidas desse género. Penso que isso nos colocou numa posição de tentar aumentar a mobilidade e de criar recursos para o futuro e não tanto de dar dinheiro para o que tinha acontecido.

E: Na Grã-Bretanha, e suponho que sabe isso, o senhor é conhecido como o “Cameron” sueco. Isso agrada-lhe? É uma comparação que faz sentido?

FR: Acontece que eu e o David, e nós conhecemo-nos, somos praticamente da mesma idade e ambos nos tornámos primeiros-ministros. Nós falámos ao longo deste período e, por conseguinte, aprendemos um com o outro. Ouvi o David falar imenso sobre os seus compromissos climáticos e ele tem discutido imenso comigo sobre as reformas educativas que temos feito na Suécia, por exemplo.

E: Voltemos ao Fórum. Está a participar em diversos painéis. Como é a vida de um primeiro-ministro quando vem a Davos? Como é a sua agenda?

FR: É muito agitada. Eu cheguei ontem à noite e fico até amanhã de manhã. Vou participar em painéis, tenho algumas reuniões, com o presidente Calderón do México e Trichet, o presidente do Banco Central Europeu. Portanto, eu aproveito muito bem as horas de trabalho e é muito agitado.