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Egito: polícia reaparece mas não é bem-vinda

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Egito: polícia reaparece mas não é bem-vinda

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Para responder às pilhagens, grupos de jovens criaram comités populares de proteção dos bairros. No Cairo, o exército apela aos habitantes para ajudar a proteger a cidade, brandindo notícias sobre a evasão de cerca de mil prisioneiros no fim de semana.

Há quem denuncie uma estratégia para semear o medo e fazer com que a população aceite o regresso da polícia, que durante dois dias foi substituída pelos militares.

Outros dizem que se trata de uma estratégia do governo para afastar os jovens das manifestações e os manter ocupados na “caça aos bandidos”.

De qualquer forma, os habitantes sentem-se mais seguros com a nova polícia de bairro. “Estou contente com o que estes jovens estão a fazer”, avança um residente. “Estão a proteger as nossas casas porque adoram o país e temos de preservá-lo.”

“Não nos sentimos de todo seguros, nem sequer com a polícia. Por isso, decidimos proteger-nos a nós próprios, às nossas casas e ruas. Temos familiares no exército que nos disseram para o fazer porque não há segurança e a situação vai piorar”, lança outro cidadão.

A polícia regressou esta manhã às ruas. Na sexta-feira, foi substituída pelo exército, após os violentos confrontos com os manifestantes.

Mas, “apesar de um grande número de polícias nas ruas, os comités populares para proteger os bairros são a única forma de garantir a segurança, sobretudo, quando não se confia na polícia”, testemunha o correspondente da Euronews no Cairo.

Em vez de repor a sensação de segurança, a polícia inflama ainda mais os ânimos. Muitos veem estes homens como símbolos da repressão do regime.