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Egito: a batalha pela Praça da Libertação

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Egito: a batalha pela Praça da Libertação

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O centro do Cairo voltou a ser palco de confrontos, pelo segundo dia consecutivo. Apoiantes do presidente egípcio tentaram, mais uma vez, entrar no perímetro da Praça Tahrir, onde se encontram os manifestantes que há dez dias acampam no local e exigem a queda do regime.

Os manifestantes pró-Mubarak também atacaram os jornalistas e cercaram os hotéis onde se encontravam os correspondentes estrangeiros.

Este grupos de homens armados com facas, bastões e até metralhadoras são acusados de pertencerem aos serviços de segurança ou de serem polícias à paisana.

Houve disparos, agressões com armas brancas e atropelamentos. Centenas de homens barraram os acessos à Praça Tahrir para impedir os manifestantes anti-Mubarak de saírem ou de receberem reforços ou mantimentos.

Desde ontem, morreram 10 pessoas e há mais de mil feridos, segundo fontes médicas. Os serviços de socorro confirmaram que um cidadão estrangeiro foi espancado até à morte. Na primeira semana de contestação contra o regime, a ONU denunciava a morte de 300 pessoas.

Os manifestantes criticam a polícia, que desapareceu completamente das ruas e parece ter integrado, à paisana, as fileiras dos que apoiam Mubarak.

O exército, criticado pela passividade face aos confrontos, criou uma zona de separação de 80 metros entre as duas frentes. Mas os militares limitaram-se a disparar para o ar esporadicamente para dispersar os atacantes.

Apesar dos ataques serem vistos como uma tentativa desesperada do regime para evitar a mega manifestação desta sexta-feira, os manifestantes não arredam pé. O dia de amanhã chegou mesmo a ser batizado pelo opositor Mohamed ElBaradei como “o dia da partida” de Mubarak.

A comunidade internacional apela à transição imediata do poder e ao fim da violência, enquanto se verifica a fuga dos turistas do país. Também o pessoal da ONU vai ser retirado.

Entretanto, o vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, disse que os apelos aos protestos contra o presidente são um “apelo ao caos” e classificou os confrontos entre apoiantes e opositores de Mubarak como um “complô” feito por personalidades no Egito e no estrangeiro. Suleiman não se vai candidatar às próximas presidenciais.