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Catherine Ashton: "O povo egípcio tem de escolher a forma como quer avançar"

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Catherine Ashton: "O povo egípcio tem de escolher a forma como quer avançar"

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Catherine Ashton está em plena tormenta. Nas últimas semanas tem sido alvo de duras críticas pela lentidão da resposta da UE às crises tunisina e egípcia. A euronews foi ouvir a chefe da diplomacia europeia.

Sergio Cantone, euronews: O que significa uma transição ordenada?

Catherine Ashton, Alta Representante da UE para a Política Externa e Segurança: Significa que o governo tem de dialogar com os grupos da oposição e com a sociedade civil. Significa implementar as medidas necessárias para avançar, para construir uma democracia e realizar eleições. Significa criar o quadro institucional necessário. Espero que possamos ver isso acontecer em breve no Egito.

euronews: Quando menciona a oposição refere-se também à Irmandade Muçulmana?

C. Ashton: Há diversos partidos da oposição no Egito. É importante que o governo fale com esses grupos da oposição, que fale com a sociedade civil, com grupos de civis que se formaram para estas manifestações para dizerem que querem mudanças. O governo tem de dizer que está a trabalhar e prepara um plano para o futuro.

euronews: Pensa que com Mubarak no poder é possível ter negociações com a oposição?

C. Ashton: É importante que o povo egípcio escolha a forma como quer avançar. Não devemos ser nós a escolher. A nós cabe-nos ajudar a criar o sistema, o processo, a lançar as bases democráticas. É isso que estamos a fazer com a Tunísia: a trabalhar com o governo de transição naquilo que precisa.

euronews: O exército egípcio está a desempenhar um papel importante? Será que vai desempenhar um ainda mais importante no período pós-Mubarak?

C. Ashton: Na conversa que tive com o vice-presidente Omar Suleiman falamos sobre a manutenção da paz pelo exército, isto é, assegurar que os civis estarão protegidos nas ruas, que os jornalistas serão protegidos. Sei que foi feito hoje, pelo governo, um apelo ao exército nesse sentido. É importante que o exército mantenha esse papel.

euronews: O Parlamento Europeu e muitos Estados membros criticaram duramente o Serviço de Ação Externa. O que pensa dessas críticas?

C. Ashton: Bem, os membros do Parlamento Europeu e eu tivemos um bom debate. Destaquei que o serviço de Ação Externa está a funcionar há cinco semanas e está a fazer um trabalho magnífico. Os nossos embaixadores estão a fazer um trabalho fantástico no terreno. Temos coordenado o que se passa na Europa, a resposta às crises. Iremos continuar este trabalho e avançar.