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Egito: no "dia da partida" Mubarak ficou

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Egito: no "dia da partida" Mubarak ficou

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O povo não cedeu, Mubarak também não. Os manifestantes escolheram esta sexta-feira como o “dia da partida” do presidente egípcio, mas Hosni Mubarak não deixou a cadeira do poder, ignorando também os apelos de vários países ocidentais.

Ao início da noite, Barack Obama declarou que o futuro do Egito será decidido pelo seu povo. O povo egípcio pede a saída de Mubarak.

Mas algumas centenas de egípcios não concordam e participaram numa contramanifestação, desta vez pacífica, na Praça Moustafa Mahmoud, do outro lado do rio.

Horas antes, grupos de apoiantes do regime ainda tentaram passar as linhas de defesa do exército para entrar na Praça Tahrir.

Protagonizaram alguns confrontos nos arredores da praça e impediram vários jornalistas de circular livremente. Ouviram-se tiros esporádicos, mas as cenas de violência não foram nada comparáveis com as de quarta e quinta-feira.

A Praça Tahrir voltou a revelar-se o símbolo da contestação ao presidente, ao 11° dia de protestos. Dezenas de milhares de cidadãos, de todas as confissões e orientações políticas, exigiram o fim de um reinado de 30 anos.

E prometem não arredar pé, até porque o primeiro-ministro garantiu que o governo não vai usar a força para dispersar os manifestantes. Paralelamente, foi encurtado o recolher obrigatório, que poucos respeitam.

“Este país tem cientistas, atletas, pensadores, etc. Este país é incapaz de encontrar um bom líder porque durante anos não fez mais que reprimir estas pessoas. Basta!”, lança um egípcio.

“Deixe o Egito, estamos fartos de si. O presidente é o faraó, o imperador Nero! Qualquer ditador que já tenha existido é melhor do que o senhor, que se está a agarrar ao trono. Não o queremos mais! Saia!”, exige uma rapariga.

Hosni Mubarak ainda não deixou o poder. Mas, para os milhares que manifestam nas ruas, a revolução está em marcha e já não é possível fazer marcha atrás.