Última hora

Última hora

Irmandade Muçulmana

Em leitura:

Irmandade Muçulmana

Tamanho do texto Aa Aa

O Egito está cortado em dois, à imagem do que se passa na Praça Tahir com os apoiantes de Mubarak e os opositores.

Entre eles, os Irmãos Muçulmanos, de quem todos agitam o espectro.

Discretos, no início da mobilização, apareceram depois da manifestação de terça-feira a exigir, abertamente, a partida do ditador.

Rashad Al-Bayoumi:

“Ouvimos, demasiadas vezes, falsas promessas incumpridas.

Mubarak não fez nada nos últimos 33 anos, por isso, o que havemos esperar que cumpra em 8 meses?”

Mas quem são eles na realidade?

Atualmente estão com outros partidos, na coligação que se chama “comité das reivindicações do povo” . Justificaram a mobilização tardia para evitar que a sua presença servisse de desculpa a mais repressão.

Esta confraria era tolerada e mesmo financiada pelo regime, mas não era legal e muitos membros ainda estão na prisão.

A Irmandade Muçulmana foi criada em 1928, durante o mandato britânico, e apareceu para contrariar a influência do ocupante e impor os valores do islão. Hoje está dividida entre a ala reformadora e a ala conservadora, mas foi um radical que foi eleito para dirigente, no ano passado.

Em 2005, nas primeiras eleições abertas a outros candidatos alheios ao regime, a Irmandade Muçulmana conseguiu um resultado melhor do que o previsto: 20 por cento de votos e 88 assentos parlamentares. Mesmo assim afirmaram que teriam mais se não tivesse havido fraude.

É a força da oposição mais estruturada no Egito, mas não é um partido porque a constituição proíbe, desde 2007, que os movimentos religiosos se constituam como partidos políticos.

Uma reforma desejada há muito por Hosni Mubarak e destinada a lutar melhor contra o terrorismo. Mas a Irmandade Muçulmana renunciou à luta desde 1970, contrariamente aos irmãos do Hamas que apresentaram a formação, em 1987, como ala da Irmandade Muçulmana que jamais renunciará à violência.

No entanto, tal como o Hamas, a irmandade egípcia construiu uma rede social potente que mitiga as carências do Estado junto dos mais pobres e por isso, é muito respeitada pela população.

Depois do exército egípcio, a Irmandade é a maior força, e bem organizada.

O objetivo mantém-se: islamizar a sociedade, instalar a charia e um puritanismo rigoroso.

Israel assiste com apreensão aos acontecimentos, temendo uma alteração nas relações bilaterais e mesmo um conflito com o mais fiel aliado vizinho em três décadas.