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Enviado especial ao Cairo: "Manifestantes podem aguentar outra semana"

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Enviado especial ao Cairo: "Manifestantes podem aguentar outra semana"

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Carlos Rayon, euronews: “O correspondente da euronews Luis Carballo está perto da Praça Tahrir, no Cairo, e é testemunha directa do que se está a passar. Os manifestantes anti-Mubarak continuam a desafiar o regime. Não têm a mínima intenção de deixar o local e o braço-de-ferro continua.”

Luis Carballo: “Sim, e com bastante intensidade. Estão muito bem organizados. Passámos uma boa parte do dia na praça e posso dizer que estão bastante bem organizados. Vimos que há também um hospital improvisado. A comida continua a chegar e vimos vendedores que propõem água. Podemos dizer que os manifestantes têm aquilo que é necessário para aguentar. Tudo indica que podem aguentar pelo menos durante mais uma semana, sem qualquer problema.”

CR: “A situação em que se encontram os jornalistas hoje, é menos tensa do que antes? Podes descrever aquilo a que assististe pessoalmente?”

LC: “Podemos dizer que é mais fácil cobrir os acontecimentos, ainda que persistam problemas. O Exército facilitou-nos a tarefa; os militares ajudaram-nos a passar os postos de controlo e não fomos assediados como nos dias anteriores.

O problema não é o Exército, mas sim os partidários de Mubarak. Se, por azar, nos encontramos no mesmo lugar que eles, podemos ter problemas. Foi isso que nos aconteceu ontem. Fomos detidos, confiscaram-nos os passaportes e deram-nos à polícia militar.

Estivemos detidos numa esquadra de polícia durante cerca de uma hora e vimos três pessoas detidas. Eram todos egípcios. Não conseguimos perceber a que campo pertenciam, se eram contra ou a favor do regime. Fomos testemunhas das agressões de que foram alvo por parte de um dos polícias presentes.

Foram brutalmente agredidos, submetidos a descargas com uma espécie de bastão elétrico, ao nível do pescoço e do coração, durante vários minutos e repetidamente.”

CR: “A Praça Tahrir é o centro das atenções dos media internacionais, mas podes dizer-nos o que acontece no resto da cidade, dar-nos uma ideia do que se passa noutros locais?”

LC: “O nosso hotel – do qual não digo o nome, por razões de segurança – está situado na outra margem do Nilo. Não testemunhámos nenhuma cena de violência, dada a presença maciça do Exército. Diria que hoje há uma presença militar muito mais significativa. Vimos patrulhas do Exército que instalavam perímetros de segurança com pontos de controlo a cada dez metros, aproximadamente. Esta presença é particularmente sentida nos locais onde se manifestaram os pró-Mubarak durante os dias anteriores.”

CR: “Foi o testemunho de Luis Carballo, enviado especial ao Cairo. A euronews vai continuar a seguir de perto a crise no Egito.”