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Praça Tahrir: a "sala de espera" de uma revolução inacabada

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Praça Tahrir: a "sala de espera" de uma revolução inacabada

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Os egípcios mostram-se inquietos face a uma revolução inacabada. Catorze dias de protestos de rua não chegaram para derrubar 30 anos de regime de Hosni Mubarak.

Na praça Tahrir, no centro do Cairo, o entusiasmo da primeira semana começa a dar lugar à fadiga e à apreensão sobre o futuro do movimento de protesto.

O início do diálogo entre o regime e a oposição soa, para muitos, como uma concessão face à principal exigência do movimento, a demissão imediata de Mubarak.

“Mesmo depois de 30 anos de presidência, Mubarak continua a não querer dar o braço a torçer, só no mundo árabe é que é possível que os presidentes se mantenham no poder durante décadas para mergulhar-nos na ignorância”, afirma um manifestante.

“Neste cartaz escrevi o meu testamento, só abandonarei esta praça quando o regime actual abandonar o poder”.

As manchetes dos jornais de hoje eram dominadas pela jornada de homenagem aos mártires da revolução, uma razão suplementar para que muitos manifestantes se recusem a baixar os braços.

“Tenho uma mensagem para aqueles que pensam que estamos a ficar cansados deste protesto – nós não vamos arredar pé. Mubarak tem de demitir-se.”

O enviado especial da Euronews ao Cairo, Luis Carballo, constata que: “a base da pirâmide do faraó Mubarak está a desmoronar-se lentamente. Com esta revolta, a política egípcia entra em território desconhecido. Muitos nesta praça não ignoram o fato de que a queda de Mubarak poderá demorar ainda algum tempo, mas sabem também que o regime está em agonia depois de ter governado com mão de ferro durante mais de trinta anos”.