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Praça Tahrir: espaço da liberdade condicionada

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Praça Tahrir: espaço da liberdade condicionada

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Cerca de duas mil pessoas voltaram a acampar na Praça Tahrir, o epicentro da revolta popular contra o presidente egípcio.

Ao décimo quarto dia de ocupação, os manifestantes repetem que não arredam pé enquanto Hosni Mubarak não deixar o poder.

Muitos vieram de outras cidades e trouxeram a família. Tendas, plásticos e mantas estão a ser doadas por particulares e empresas. Há muçulmanos e cristãos, jovens e velhos. Todos diferentes, mas com um ponto em comum.

“Os manifestantes começaram uma nova vida nesta praça e repetem que vão continuar aqui se o presidente continuar no poder”, constata o correspondente da euronews, Mohamed Elhamy.

Eis o exemplo de uma família que vive na pele as dificuldades de quase metade da população egípcia. Vive com menos de dois dólares por dia.

“Vim cá para dizer basta. Estamos fartos desta situação. Tenho quatro filhos e o meu marido está no desemprego, não temos qualquer rendimento”, explica uma jovem mãe.

Enquanto uns dormem em tendas, outros preferem deitar-se em frente aos blindados para impedir que os militares evacuem a praça.

“Não dormimos bem porque temos sempre medo dos ataques das milícias pró-Mubarak. Por isso, dormimos um pouco, depois vamos ver se não houve problemas, tentamos manter os veículos militares ao longe e vigiamos as entradas na Praça Tahrir”, conta um homem.

Em árabe, Tahrir significa libertação. A 25 de janeiro de 2011, a praça converteu-se no símbolo da contestação e num espaço de liberdade até agora inédito.

Apesar do diálogo aberto com a oposição, os manifestantes prometem voltar a encher a praça aos domingos, terças e sextas-feiras. A multidão vai continuar a gritar “Liberdade para o povo egípcio”.