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Violação dos direitos humanos no Egito continua

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Violação dos direitos humanos no Egito continua

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A revolta contra os abusos diários e a tortura da polícia foram elementos que despoletaram a mobilização contra o regime de Mubarak.

Foi o caso de Khaled Mohammed Said, 28 ans, espancado até à morte pela polícia no dia 6 de Junho de 2010 num cibercafé de Alexandria, o que originou manifestações o ano inteiro.

Os jovens manifestantes constituiram o movimento 6 de Abril, muito activo nas redes sociais. Foi aliás, esse o erro de Khaled que tinha colocado no facebook um vídeo em que se viam polícias e vender drogas e pagou por isso com a vida.

Os maus tratamentos nos comissariados da polícia já eram conhecidos, nomeadamente com a publicação de vídeos no blogue de Wael Abbas.

Em Março de 2007, ele afirmava querer contribuir para o respeito dos direitos do homem no Egito.

“Quero que estas práticas acabem, quero que a polícia egípcia deixe de tratar assim os egípcios. mesmo que sejam suspeitos de algum crime, há sempre a lei”.

Os vídeos foram realizados pelos próprios agentes policiais que se vangloriavam dos actos e os mostravam uns aos outros, mas alguns caíram nas mãos dos bloggers. As brutalidades eram correntes e aplicavam-se a todos os detidos, não apenas aos suspeitos de terrorismo.

Durante as manifestações da semana passada também houve detenções, e os casos de maus tratos e humilhações foram contados pelos jornalistas. Nicholas Kulish, jornalista do New York Times, foi detido num posto de controlo e entregue à polícia secreta, e testemunha:

“Ouvimos pessoas a serem espancadas, podíamos literalmente ouvir bastonadas e gritos a dizer que aquilo não estava a acontecer”.

A questão dos direitos humanos no Egito é fundamental para os activistas que denunciam a continuidade do comportamento abusivo e cruel dos agentes da polícia secreta.