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Egito: rumo a uma nova era?

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Egito: rumo a uma nova era?

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Fawzi Sadallah. euronews – Amr Echchoubaki benvindo.

Omar Souleiman, vice-presidente egípcio, anuncia reformas consistentes na alteração à Constituição e promete o diálogo com a oposição. As medidas têm futuro e vão convencer a oposição?

Amr Echchoubaki, Al-Ahram Centro de Estudos Políticos e Estratégicos

- Na verdade, isso depende da capacidade do regime em reconstituir-se através desta comissão ou de outras medidas. O problema é que não acreditamos na faculdade do regime fazer verdadeiras reformas políticas sob a égide de Mubarak e que esta comissão visa dar um passo rumo à alteração constitucional e não um estragema para ganhar tempo e transferir os problemas para depois, como Mubarak nos habituou em 30 anos.

Fawzi Sadallah. euronews – Mubarak agarra-se ao poder. Qual é o papel do exército no braço de força de Mubarak com os contestatários? Para mais, os militares, no activo e na reserva, constituem o pilar do poder no Egito.

Amr Echchoubaki

- Penso que as Forças Armadas são neutras. Protegem as instituições públicas e defendem a legitimidade. E até agora têm aceite que a legitimidade está na rua com a população e a legitimidade de Mubarak terminou.

Aconteça o que acontecer, o exército é o pilar deste estado e os egípcios são unânimes em relação à necessidade de mudar o regime e o presidente sem destruir o Estado ou dissolver o exército e reproduzir o caos do Iraque.

Fawzi Sadallah. euronews – A Irmandade Muçulmana é utilizada como “papão” pelas potências estrangeiras. Qual é o papel que vai ter no Egito de amanhã?

Amr Echchoubaki

- Os Irmãos Muçulmanos são parte integral do movimento político egípcio, por isso, como tendência política que são, há que contar com eles.

Há compromissos que a Irmandade tem de respeitar para mostrar que respeita as regras do estado civil e da democracia. Entre outras, a constituição de um partido político que se comprometa a respeitar a Constituição civil e o regime republicano.

No passado, o regime impediu a Irmandade Muçulmana de se constituir como partido para a utilizar como espantalho e atemorizar o Ocidente e os Estados Unidos e fazer crer que Mubarak era a única alternativa à Irmandade Muçulmana. Evidentemente, não é assim, e esta revolução mostrou que existe uma terceira via que representa a maioria dos egípcios, que querem viver dignamente e construir um estado moderno e democrático à imagem de todos os países do mundo.

Neste contexto, a Irmandade Muçulmana converteu-se numa corrente que não representa, no meu ponto de vista, mais do que 15 ou de 20% da população no máximo.