Última hora

Última hora

Sul do Sudão: os desafios da independência

Em leitura:

Sul do Sudão: os desafios da independência

Tamanho do texto Aa Aa

A população já festeja o nascimento de um novo estado em África, ainda que a formalização da independência do Sul do Sudão seja a 9 de Julho. A divulgação oficial dos resultados do referendo sobre a separação foi motivo de festa, esta segunda-feira, seis anos após o acordo de paz que pôs fim a mais de duas décadas de guerra civil. 98,83 por cento dos eleitores votaram a favor da secessão.

“A partir de agora, esta bandeira vai ser içada”, diz Santino Riach Makel, residente de Juba. “Esta é a bandeira do sul do Sudão e o hino vai ser cantado por todos. Sinto-me muito feliz. Faço parte dos orfãos e viúvas que agora festejam aqui. Todas estas pessoas são vítimas da guerra.”

Mas há um longo caminho a percorrer. Entre os desafios está a divisão dos lucros do petróleo com o Norte. A maior parte dos campos petrolíferos situa-se no Sul ou em zonas disputadas, como Abyei, onde o traçado da fronteira está por definir. No Norte, estão os oleodutos.

Jennifer Cooke, directora do Programa África do Center for Strategic International Studies (CSIS), alerta: “O sul do Sudão está a construir um estado a partir de um esboço. Tem uma capacidade limitada em termos de governação e algumas pessoas preparadas para os cargos mais importantes. Mas em termos de governação, tem poucas capacidades. E tem, ainda, desafios de desenvolvimento enormes.”

Excluindo a cidade de Juba, que tem algumas estradas asfaltadas, não há mais do que estradas de terra. Mais de metade da população não tem acesso a água potável nem a serviços básicos de saúde, a falta de escolaridade é gritante e a esperança de vida fica-se pelos 42 anos.