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Aumento dos preços alimentares preocupa a FAO

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Aumento dos preços alimentares preocupa a FAO

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O aumento do custo de vida, em geral, e dos preços dos bens alimentares, em particular levou centenas de indianos às ruas de Nova Deli.

A manifestação foi organizada por nove partidos regionais e de esquerda, uma semana antes do voto parlamentar sobre o orçamento indiano.

Brinda Karat, senadora comunista, acusa o governo de não controlar os preços: “É impensável que um governo, sabendo da inflação nos preços dos bens alimentares, aumente os preços do petróleo. Isto tem um efeito de dominó!”

Depois da canícula e dos incêndios deste verão, na Rússia, as inundações deste outono/inverno na Austrália vieram pior a situação. Rússia e Austrália têm sido, historicamente, grandes exportadores de trigo. Um risco de penúria na produção é sinónimo de aumento dos preços.

Para muitos analistas, o aumento dos preços do trigo é mesmo uma das principais causas da revolta que começou na Tunísia e se alastrou a outros países do médio oriente.

Num mundo cada vez mais globalizado, onde a procura dos países em desenvolvimento é crescente, qualquer distúrbio climático – seca ou inundação – é suficiente para provocar um aumento dos preços dos bens alimentares.

Um aumento dos preços que, para Abdolreza Abbassiani, da FAO, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, é ainda mais inquietante, tendo em conta “a duração, no tempo, deste aumento dos preços, que começou há vários meses.” O economista acrescenta: “Não temos qualquer indicador de que a situação vá mudar, nos meses que se seguem. É muito tempo e receio que esta longa duração provoque ainda mais inflação em muitos países.”

Na China, a seca, a mais rigorosa dos últimos 60 anos, constitui uma dupla ameaça. O recurso sistemático à rega pode resultar numa falta de água potável, ao mesmo tempo que a seca ameaça a colheita de trigo. A China é o maior produtor mundial deste cereal e, até agora, tem sido autossuficiente. Mas se começar a importá-lo, os preços mundiais vão disparar ainda mais.