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França: juízes em greve contra a falta de meios

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França: juízes em greve contra a falta de meios

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É um movimento de greve inédito em França. Os juízes manifestam-se, esta quinta-feira, em várias cidades do país para denunciar a falta de meios na Justiça. Quase todos os tribunais estão a funcionar a meio gás e as audiências não urgentes foram adiadas.

Um protesto fundamentado por um relatório publicado em outubro pela Comissão Europeia. Numa lista de 15 países, a França ocupa a penúltima posição em termos de orçamento consagrado à justiça. Além disso, há apenas 9 juízes para cada cem mil habitantes contra, por exemplo, 18 em Portugal.

“Não podemos fazer o nosso trabalho corretamente”, lança a magistrada Syvie Pons. “Não há juízes suficientes, não há funcionários suficientes, não há assistência penitenciária. Falta tudo. Vivemos dia a dia, sempre na corda bamba e surpreende-me que não haja mais problemas.”

A revolta foi despertada pelas críticas de Nicolas Sarkozy, após a violação e assassinato de uma adolescente alegadamente por um criminoso reincidente que saiu da prisão sem acompanhamento judiciário ou psiquiátrico.

“Os que cobriram ou deixaram passar esta falha serão punidos”, declarou o presidente francês, a 3 de fevereiro, na cidade de Orléans.

O ministério da Justiça pediu a lista dos magistrados e funcionários em greve. Para os sindicatos trata-se de uma “forma de intimidação”.

Uma sondagem publicada hoje pelo jornal “20 Minutes” revela que 65 por cento dos franceses apoiam a greve dos juízes. Um tema incontornável para o presidente francês, que esta noite é entrevistado na televisão.