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Justiça francesa em greve

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Justiça francesa em greve

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Em França, o mundo da justiça está de costas voltadas para o presidente Nicolas Sarkozy. Esta quinta-feira foi dia de greve e manifestação nacional dos juízes, advogados e, até, dos polícias e guardas prisionais. Juntaram-se para protestar contra as críticas de Nicolas Sarkozy e contra falta de meios no setor. Um movimento de greve inédito no país.

Françoise Cotta, advogada em Paris, explica as razões do descontentamento: “O que o chefe de Estado quer é a supressão dos serviços públicos da justiça ou do ensino – não é por acaso que os professores também manifestam. É preciso ser extremamente claro: os trabalhadores tentam travar a delinquência e fazem o que podem com meios extremamente reduzidos. É preciso que a justiça tenha meios a sério para funcionar. Arranjar bodes expiatórios – só porque estamos em campanha eleitoral – não resolve nada! O chefe de Estado tem um discurso extremamente perigoso porque encoraja a violência”.

A revolta foi despertada pelas críticas de Nicolas Sarkozy, após o assassinato de uma adolescente alegadamente por um criminoso reincidente, que saiu da prisão sem acompanhamento judiciário ou psiquiátrico. O presidente francês avisou, na semana passada, que “os que cobriram ou deixaram passar a falha serão punidos”.

Uma sondagem publicada, esta quinta-feira, pelo jornal “20 Minutes” revela que 65 por cento dos franceses apoiam a greve dos juízes. Um tema incontornável para o presidente francês, que esta noite é entrevistado na televisão pública.