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Cronologia de uma revolução

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Cronologia de uma revolução

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A violenta morte do jovem Khaled Said, alegadamente espancado por polícias num cibercafé de Alexandria, no ano passado, deu consistência ao espírito de insatisfação revolta no Egito.
 
E no início de janeiro, seguindo o exemplo da revolta tunisina, registam-se casos de imolação pelo fogo. Foi o rastilho do que se iria seguir. E 25 de Janeiro abriu a revolução. Num dia nacional para comemorar as forças policiais, milhares saíram às ruas. Ficou conhecido como o dia da Fúria. Foi um protesto sem precedentes para exigir emprego, melhores condições de vida e o fim da corrupção.
 
Mas uma manifestação ainda maior estava para vir. Três dias depois, após as orações de sexta-feira, uma massa humana saiu às ruas, com o apoio da oposição política, incluindo Mohamed Elbaradei. Depois deste dia, os manifestantes passaram a exigir a demissão do presidente Hosni Mubarak.
 
As forças armadas tomam posição nas ruas, mas não intervém ou assumem uma postura política. Os manifestantes acolhem os militares com entusiasmo.
 
Hosni Mubarak dá então o primeiro discurso. Presidente há 30 anos, promete que não se recandidata nas eleições previstas para setembro e garante mudanças. Mubarak nomeia Omar Souleiman vice-presidente e remodela o governo.
 
O marco da revolução surgiu no dia 2. Apoiantes do presidente entram em cena e desencadeiam violentos confrontos. Sangue foi derramado. A praça Tahrir foi apenas um dos palcos de violência entre as duas fações.
 
O exército manteve-se passivo e não impediu a violência, mas encoraja os apoiantes de Mubarak a abandonar as ruas. O governo lamenta a violência e condena a ação dos contra manifestantes.
 
A 4 de fevereiro uma maior manifestação contra o regime eclode. Ficou conhecido como o dia da partida. Nos dias seguintes, no Cairo, os manifestantes começaram a reforçar as vozes de contestação junto dos principais edifícios do Estado como o Parlamento, a sede do governo ou a residência oficial do primeiro-ministro.
Na quinta-feira, pressionado pelas forças armadas, Mubarak discursa mais uma vez, anuncia mudanças constitucionais e delega poderes ao vice-presidente, mas não se demite. A multidão nas ruas fica enfurecida, esperava que Mubarak abandonasse o poder.
 
No dia seguinte, 11 de fevereiro, Mubarak deixa finalmente o cargo. Após 18 dias de revolta, o conselho militar assume os poderes presidenciais.