Última hora

Última hora

18h00: a hora em que povo egípcio faz história

Em leitura:

18h00: a hora em que povo egípcio faz história

Tamanho do texto Aa Aa

Eram seis da tarde no Cairo, quatro em Lisboa quando o vice-presidente egípcio fez o anúncio:

“Caros cidadãos, nestas difíceis circunstâncias que o Egito atravessa, o presidente Hosni Mubarak decidiu abandonar o cargo.”

Em 30 segundos, Omar Suleiman calou os protestos que se arrastavam desde há 18 dias.

O homem que governou o país, com mão de ferro, durante 30 anos entregou, ontem, o poder aos militares.

O exército prometeu medidas para uma fase de transição e lembrou os que morreram durante as manifestações.

“O conselho supremo das Forças Armadas presta tributo aos mártires que morreram e sacrificaram a vida em prol da liberdade e da segurança do país.

Que Deus nos proteja e nos ajude” afirma um porta-voz do exército.

Nas ruas, a festa não se fez esperar.

A demissão do governo anunciada por Mubarak, a nomeação de um vice-presidente e a promessa de não se recandidatar em Setembro não convenceram os manifestantes.

Nos últimos dias, a mobilização popular ganhou força. Hoje, o Egito canta vitória.

“Graças a Deus, fizemos tudo para que ele abandonasse o cargo. Nenhum discurso nos satisfez e aquele que o substituir deve trabalhar em prol do povo e do país. Queremos um limite de dois mandatos para o presidente. Para isso é necessário mudar a Constituição. Não queremos que o presidente assuma o cargo eternamente ou que o passe para os filhos. Não será como Mubarak, permanentemente no cargo. Queremos um regime parlamentar como em qualquer outra República. Queremos que o primeiro-ministro dirija o país e que o cargo do chefe de Estado seja honorífico” afirma um jovem.

Depois de três décadas de contenção, os egípcios festejaram noite dentro o fim da era Mubarak.