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Estado de emergência humanitária no sul de Italia

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Estado de emergência humanitária no sul de Italia

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Chegam às dezenas, amontoados em pequenas embarcações. Há uma semana, cerca de 5.500 immigrantes clandestinos desembarcaram na costa sul da Itália vindos, principalmente da Tunísia. Este fluxo em massa continua, sobretudo para a ilha de Lampedusa, que instaurou o estado de emergência.

Habitada por seis mil pessoas, esta minúscula ilha italiana está apenas a menos de 150 quilómetros da costa tunisina.

Centenas de jovens tunisinos, originários das cidades de Zarziz, Ben Guerdane, Tataoiune, Medenine e Gafsa, marcadas por uma elevada taxa de desemprego, optaram pelo caminho do êxodo para a Europa, como explica um deles:

“Não temos medo de vir de Djerba para Lampedusa. Estivémos 24 horas num barco. pagámos quase 2000 dinares, cerca de 1500 euros”

No sábado, Itália declarou o estado de emergência humanitária e reabriu o centro de identificação e expulsão de imigrantes de Lampedusa, onde se alojam mais de 2000 pessoas, principalmente jovens do sexo masculino procedentes da Tunísia.

Um dos jovens imigrantes explica-se em italiano:

“Venho da Tunísia, todos os que estão aqui vêm de lá. Temos medo porque, desde a revolução não mudou nada. Desde 14 de janeiro que está tudo na mesma. Aqui não pedimos nada, só a possibilidade de encontrar um trabalho na Europa”

Já no passado, Itália sofreu importantes vagas de imigração, mas desde o controvers acordo assinado em 2008 com Trípoli, o número de imigrantes desceu de 36 mil para 9.500, em 2009, e para 4.300, no ano passado.

Mas esta onda apanhou de surpresa a Itália e a União Europeia. Mario Marazzitti da Comunidade Sant’Egidio:

“Acho que é correto que, numa crise internacional, se convoque imediatamente uma mesa redonda europeia para decidir quem pode ajudar a Itália a carregar este peso.”

Segundo Marazzitti, este êxodo para a Itália é comparável ao dos albaneses, na sequência da queda do comunismo em 1991, por isso não há como deter o fluxo de ilegais.