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Tribos líbias com mais poder que o clã Khadafi

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Tribos líbias com mais poder que o clã Khadafi

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Há quatro dias, Khadafi, no meio da multidão, estava seguro do apoio da sociedade civil em Tripoli. Os protestos concentravam-se então a mil quilómetros dali, no leste do país, agora perdido.

A revolta chegou à capital, e o mais idoso dos ditadores árabes estará em fuga para a Venezuela, segunda fontes chinesas e árabes.

Mas a poderosa tribo que controla a zona de fronteira com o Egito, a Al Zuwaya, já assumiu o controlo da ajuda médica que vem do país vizinho e, com outra importante tribo, a Warfla, exige a rendição do clã Khadafi.

O porta-voz da Human Rights Watch, analisa os acontecimentos:

“Na Tunísia, e depois no Egito e no Barhein. depois da rutura inicial, as autoridades tentaram chegar a um compromisso, iniciaram o diálogo com os manifestantes e ouviram as reivindicações.

Mas o que está a acontecer na Líbia contrasta com essa atitude. Aqui não há sinais que indiquem que o governo libio vai fazer algo mais do que reprimir com violência extrema os protestos”

Os actos de repressão de Khadafi ampliaram o terror de Ben Ali, o que provocou deserções dos seus comités revolucionários.

A Amnistia Internacional divulga núeros na ordem dos 1000 feridos e quase 250 mortos, o que ultrapassa as baixas nas revoltas de outros países árabes.

O exército não é equivalente ao da Tunísia e ao do Egito, é mais pequeno mas mais fiel ao líder. Depois há muitas milícias armadas, praticamente todos os jovens dos diferentes clãs e tribos estão armados pelo que o filho de Khadafi pode ter razão quando diz que o país esta à beira da guerra civil.

Outra diferença, também crucial, é a situação económica do país.

Graças aos rendimentos do petróleo, a Líbia tem um dos níveis de vida mais elevados da África.

Mas o crude, tradicional arma do regime, pode ganhar uma dimensão muito diferente:as duas tribos mais importantes do país, com controlo direto das jazidas de petróleo e que deixaram de apoiar Khadafi, ameaçam cortar o fornecimento.

A terceira diferença fundamental é o papel da diplomacia ocidental, que tem muito menos peso específico na Líbia. A Libia de Khadafi, ex-pária da comunidade internacional, está mais isolada das pressões exteriores.