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Impacto da crise líbia na economia europeia

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Impacto da crise líbia na economia europeia

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A Líbia não é a Tunísia nem o Egito em vários aspectos, mas o mais significativo está no subsolo. O maná petrolífero libio é considerável e pesa nas reações dos países ocidentais. Serve de argumento ao regime de khadafi. O filho mais reformador do coronel não se privou de alertar a população.

“Hão-de imigrar da Líbia porque o petróleo vai parar, as companhias petrolíferas vão deixar a Líbia, os estrangeiros vão embora, as refinarias vão deixar de trabalhar e deixa de haver petróleo a partir de amanhã”.

Desde 2004 que os negócios entre a Líbia e a Europa avançam, garças ao ouro negro. Khadafi ressurgiu na cena internacional, depois dos acordos de Lockerbie, a renúncia de Tripoli ao programa nuclear e o compromisso na luta contra a imigração clandestina.

A Líbia é o quarto produtor de petróleo do continente africano. O país produz mais de um milhão e meio de barris diários e exporta 80% para a Europa. O principal cliente é a Itália seguida da Alemanha, França e Espanha.

Mais da metade do PIB vem da produção de petróleo e de gás.

As reservas são as mais importantes do continente, embora só representem 3% à escala mundial.

Mas se continuar a produzir o mesmo que até agora, tem reservas para mais de 50 anos.

Alguns analistas consideram que, em caso de prolongamento do caos a Europa pode sobreviver sem o ouro negro da Líbia. Mas a situação é diferente para a Itália, com uma economia muito ligada à da ex-colónia.

A Líbia tem participações diretas em vários grupos empresariais italianos, como o gigante ENI, o grupo aeronáutico Finmeccanica, o banco Unicredit, Fiat e mesmo o clube de futebol Juventus de Turim. Nalguns detem 7,5% do acpital. No total, o valor das participações de Tripoli em Itália eleva-se a 3,6 mil milhões de euros.

Tirando as obras megalómanas, “o líder da revolução líbia”, “rei dos reis”, como se intitulava, não investia na proteção social ou na criação de empregos para os jovens, como lembra um diplomata britânico:

“Havia imenso dinheiro para gastar, dinheiro do petróleo. Podia ter sido investido para melhorar o nível de vida da população. É extraordinário: estamos perante alguém que esteve 40 anos no poder e nunca gastou o dinheiro do petróleo com o seu povo.”

O único investimento de Khadafi foi relativo à própria pessoa e a gerir como um senhor feudal a riqueza do território.