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As drogas e loucuras de Khadafi

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As drogas e loucuras de Khadafi

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Khadafi suprimiu a constituição do pais e fez um livro verde do regime. Mas fala como se estivesse em curso um ataque ao que ele próprio suprimiu:

“O ataque contra a constituição merece a pena de morte para todos os que tentarem pela força ou por qualquer outro meio ilícito mudar aa forma de governo”.

“Não dei ordem de atirar sobre as pessoas mas, quando o fizer, faço mesmo e vamos queimar tudo”.

“Vocês vão arrepender-se, mas não vai ser suficiente. Quem tem uma casa de vidro não lança pedras, quem são vocês? É hora de trabalho! É hora da invasão, é hora da vitória, não retiramos, avançamos, avançamos, avançamos, revolução, revolução!”

Este discurso incoerente foi proferido nas ruínas do palácio bombardeado por Reagan em 1986, ato que causou a morte da filha adotiva de Khadafi.

Christian Mallard, chefe do service estrangeiro da France 3 interpreta:

“É preciso encarar a sério estas ameaças, Khadafi é imprevisível , incoerente. Um dos embaixadores disse-me um dia, e cito, “sabe, ele toma uns produtos que só o deixam lúcido algumas horas por dia”. Não esqueçamos que é um déspota sanguinário e que desde o acesso ao poder, há 42 anos, sempre se impôs pelo medo e pela repressão”.

Era considerado um paria pela comunidade internacional, parodiava Mikael Jakson (como foi o caso da parada militar, em 1985) ou vestia como um chefe nómada no deserto.

Mas comprou o reconhecimento mundial, em 2003, com a indemnização das famílias do atentado de Lokerbie e ainda conseguiu que lhe devolvessem o culpado. A loucura do que era conhecido como “cão raivoso” passou a ser rotulada de mera excentricidade.

O psicólogo Philip Jaffé explica:

“Ao longe parece um excêntrico, bufão, mas quando olhamos de perto é alguém verdadeiramente desequilibrado, com traços megalómanos, um grande narcisismo e uam paranoia que parece amplificar-se ao longo dos anos”.

Doente ou não, é chefe de um clã com seguidores armados e obedientes. Pode estar eminente um banho de sangue ou mesmo um genocídio, porque, simplesmente, o deixaram ir longe de mais.