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Líbia: possíveis cenários

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Líbia: possíveis cenários

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Khadafi mostrou, com os discursos da semana passada, que não está disposto a abandonar o papel de guia da revolução líbia, mesmo que a revolução tenha mudado de rumo e de atores depois de quatro décadas.

Um cenário nos moldes egípcio ou tunisino está excluido e os que se desenham deixam pouco espaço ao otimismo.

O primeiro cenário possível é o de uma guerra civil, uma guerra tribal. Entre rebeldes, tribos que se opõe ao regime e fieis a Khadafi.

A tensão aumentou nos últimos dias e o número de vítimas é alrmante. As rivalidades históricas e a distribuição de armas são perigosas.

Do lado do clã Khadafi o vento da vingança sopra até chegar à concretização do objetivo, como mostram as imagens do filho mais novo, Saif, a acalmar a polícia com a promessa da vitória e de mais armas para vencer os rebeldes.

Os apoiantes de Kadafi serão bastantes para enfrentar a revolução? Sem dúvida que não, e corre-se um grande risco de que o país termine dividido, tal como aconteceu na Somália… uma parte do país está sob controlo da oposição e outra nas mãos do clã Kadafi.

O segundo cenário possível é um golpe de estado militar. Vimo-lo estes últimos dias: militares que abandonam os postos e aderem à oposição. As deserções estão a aumentar, mesmo entre os dirigentes.

Uma imagem simbólica é a deste delegado libio nas Nações Unidas… Esteve sempre muito próximo de Kadafi, mas agora escolheu, entre lágrimas, o afastamento. Um gesto elogiado por todos.

Mas o regime de Kadafi apoia-se essencialmente em mercenários e no aparelho de segurança. A mudança de algumas unidades do exército pode acelerar o fim, mas é pouco provável que os militares, também vinculados às tribos, atuem do mesmo modo.

Um terceiro cenário possível, embora pouco provável de momento, é o da intervenção militar estrangeira. Seguranmente num contexto humanitário, como já aconteceu noutros casos.

A União Europeia e a NATO estudaram um pacote de medidas de ação. O debate tem se centrado na questão humanitária mas o secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, considera outra possibilidade:

“A NATO tem ativos que podem ser utilizados numa situação como esta e pode desempenhar o papel de coordenador, desde que, e quando, os estados membros a título individual queiram optar esta ação.”

A possibilidade de um ataque aéreo dirigido, como foi o caso contra Sérvia no Kosovo, não está excluída.