Última hora

Última hora

Didier Reynders: A Bélgica não é a Alemanha

Em leitura:

Didier Reynders: A Bélgica não é a Alemanha

Tamanho do texto Aa Aa

A Bélgica é um dos países europeus que contesta a proposta franco-alemã. A euronews foi tentar saber porquê numa entrevista ao ministro das Finanças, Didier Reynders.

Sergio Cantone, euronews: Compreende porquê a Alemanha e a França querem acabar com o sistema de indexação dos salários à inflação?

Didier Reynders, ministro belga das Finanças: Posso compreender a iniciativa, sobretudo, do lado alemão, onde existe há muitos anos uma moderação salarial. Mas hoje a Alemanha está a dar aumentos salariais superiores aos decididos aqui na Bélgica. Por isso, o que peço é que se olhe para a realidade. Viro-me depois para a França e poderia falar de Espanha e outros países. É preciso olhar também para os números. Na Bélgica vamos ter um défice um pouco abaixo dos 4% do Produto Interno Bruto (PIB).

euronews: Os manifestantes não querem o modelo social alemão?

D. Reynders: Simplesmente não querem uma moderação salarial demasiado forte, como aconteceu nos últimos dez anos na Alemanha. É preciso ver que se queremos crescimento, se queremos desenvolvimento da atividade económica, é para melhorar o bem-estar de toda a população. A Alemanha teve de fazer face a um problema específico. No final dos anos oitenta, a Alemanha foi reunificada e foi preciso que a parte ocidental ajudasse fortemente a Alemanha de Leste. Foi preciso que as duas Alemanhas evoluíssem da mesma maneira. Nós, belgas, não estamos na mesma situação e, por isso, na Bélgica, a nossa preocupação é: se criamos crescimento, se tomamos decisões económicas, é para que toda a população beneficie.