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Fukushima: residente fala de "um jogo de espera"

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Fukushima: residente fala de "um jogo de espera"

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A Organização Mundial de Saúde garante “não existir risco de radiação, excessiva, para a população” que vive fora do perímetro de segurança à volta da central nuclear de Fukushima.

Graham Chave vive na região e falou com a Euronews.

Graham Chave: “Mais uma vez é um jogo de espera. Estamos a ver o que vai acontecer nas centrais nucleares. Tenho ouvido histórias perturbantes de que muitos trabalhadores foram evacuados. Eles estiveram afastados dos reatores durante uma hora, mas já voltaram e continuam a trabalhar para extinguir os incêndios e para conter qualquer tipo de radiação. Estamos atentos a isso e, obviamente, à direção do vento. Felizmente, o vento do oeste está a levar tudo o que é desagradável para o mar.”

Euronews: A neve e o frio estão a afetá-lo neste momento?

Graham Chave: “Está a nevar e o manto branco tem já alguns centímetros, o que é provavelmente bom, já que muita gente não quer sair à rua porque tem medo das radiações.”

Euronews: Sente que o combustível e os bens essenciais começam a faltar?

Graham Chave: “Se conseguirmos encontrar uma estação de serviço temos de esperar horas na fila para abastecer cerca de 12 litros de combustível, o que não nos permite ir muito longe. Em relação ao aquecimento, muitas pessoas estão a usar querosene. O produto está ser transportado em recipientes plásticos de 18 litros. Em muitos locais, estão a ser vendidos 10 litros por pessoa. Com este tempo é difícil.”

Euronews: O que pretende fazer em caso de catástrofe nuclear?

Graham Chave: “Pegamos no carro e seguimos em direção a oeste onde temos família. Não temos combustível suficiente para ir muito longe mas, as nossas opções são limitadas. Se formos para o norte, temos que passar pela área de Sendai, que é difícil. Podemos seguir para sul, em direção a Tóquio, mas tudo depende do vento já o que o risco de radiação pode ser o mesmo que aqui.

A estrada nacional para sair daqui está congestionada. Recordo que as autoestradas estão fechadas ao trânsito, excepto para situações de emergência. O tráfego na estrada principal é muito intenso e quando se chega à estrada deixa de ser possível abastecer a viatura com combustível e ninguém sabe o que pode acontecer.”