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Sobrevivência difícil nas zonas afetadas no Japão

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Sobrevivência difícil nas zonas afetadas no Japão

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O Imperador Akihito fez um discurso à nação, o que só acontece em situações raras e graves, mas muitos japoneses não puderam ouvi-lo porque estão a viver ao relento, com temperaturas abaixo de zero..

O momento está a ser comparado à mensagem proferida pelo pai, o imperador Hirohito, na rádio a 15 de agosto de 1945, depois dos bombardeamentos atómicos.

Há meio milhão de pessoas a viver em abrigos improvisados.

Em Otsushi, na prefeitura de Iwate, viviam 16 mil pessoas e só oito mil estão assinaladas, a dormir ao relento, enquanto procuram familiares ou em ginásios e outras estruturas mais resistentes.

Uma jovem mãe está preocupada:
“Dão-nos uma tijela de sopa ou um bocado de pão e alguns snacks. Estou um pouco preocupada por a minha filha não estar a ser bem nutrida. No entanto, é melhor comer pouco do que nada. “

A lista de desaparecidos não é oficial porque muitos corpos encontrados já não estão identificáveis ou não há quem os identifique e os japoneses continuam ainda a procurar muitas pessoas que faltam.

Os reencontros, as boas e más notícias, tudo tem sido muito lento.

Um casal procurou o filho desde sexta-feira…depois de tantos dias e de tudo ter vasculhado perdeu qualquer esperança de o encontrar com vida.

A mãe queixa-se:

“Já dura há quatro ou cinco dias, era uma pequena distância até casa. Achamos que já não o encontramos e estamos a começar a perder a esperança.”

Milhares de pessoas já partiram de Tóquio, que tem mais de 40 milhões de habitantes. Mas nem todos podem partir… ou fechar-se em casa por causa da ameaça nuclear.

Sayaka Kai não pôde…

“Sim, devia ir, mas a minha irmã vai ter um menino daqui a duas semanas e não pode viajar, principalmente de avião, e eu tenho de estar com ela pelo menos até o bebé nascer”.

Os milagres continuam a acontecer, apesar da tragédia que provoca os encontros e desencontros.

No caso de um jovem médico optimista, a história correu bem: atravessou o país mas encontrou a mulher num longínquo hospital, mesmo a tempo de assistir ao parto.