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Huy: a localidade belga que vive com o nuclear

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Huy: a localidade belga que vive com o nuclear

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A Bélgica, tal como outros países, faz face a um forte debate sobre o nuclear. O país têm sete reatores ativos, três dos quais na central de Tihange, em Huy, na província de Liége.

A construção começou nos anos setenta. Hoje, emprega mais de 900 pessoas e 27 empresas subempreiteiras.

O nuclear fornece mais de metade das necessidades energéticas belgas e nas ruas de Huy as opiniões divergem.

Uma habitante afirma: “Eu não tenho medo do nuclear no que diz respeito a Tihange, porque conheço o funcionamento, convidaram-nos para uma visita e para nos tranquilizar sobre a construção da central”. Enquanto outro defende:

“Os planos de salvamento são, na minha opinião, mal feitos e de qualquer forma a população não está bem informada”. Uma terceira acrescenta: “Eu sou favorável às energias alternativas, sou contra o nuclear”.

O reator mais antigo de Tihange deveria fechar em 2015, segundo a lei belga de 2003. Mas face ao número de empregos, Alexis Housiaux, presidente da câmara de Huy, defende: “Os habitantes, em geral, gostam da central, é preciso dizê-lo. A central faz parte da paisagem, o que pode ser um problema, porque pode haver habituação. É preciso continuar a vigiar a segurança e nesse ponto os habitantes querem a máxima. Agora, não penso que a maioria da população queira o encerramento da central”.

euronews: Mesmo depois do Japão?

Alexis Housiaux: “Mesmo depois do Japão”.

Uma ex-autarca de Huy defende que o reator mais antigo de Tihange tem menor capacidade de resistência sísmica e os ecologistas defendem a revisão do plano belga de emergência nuclear. Os bombeiros de Huy, esses, tentam estar preparados. Lucien Caterina explica: “se a cúpula viesse a ceder, após a queda de um avião ou um problema técnico na central, poderíamos ser obrigados, com um camião, a injetar água sobre a cúpula no interior da central”.

Deve a Bélgica abandonar o nuclear, como decidido há oito anos? Antes da catástrofe japonesa, a Agência Internacional de Energia defendeu o prolongamento, mas a decisão terá de ser tomada pelo futuro governo belga.

Segundo o nosso correspondente em Bruxelas, Sergio Cantone, “o Japão está longe. Longe para os habitantes de Tihange e de Huy, que vivem ao lado da central. De facto não parecem abalados pelo que sucede no Japão”.